segunda-feira, 28 de abril de 2014

Um olhar sobre a capital do Paraná

No dia 6 de maio, a partir das 19 horas, acontece o lançamento do Dicionário Amoroso de Curitiba na Livrarias Curitiba do Shopping Estação. Haverá bate-papo com o autor do livro, Marcio Renato dos Santos [na foto acima, de autoria de Lina Faria], o ilustrador, Osvalter Urbinati, e o editor da Casarão do Verbo, Rosel Soares. Em seguida, terá início a sessão de autógrafos. A entrada é franca.

         O Dicionário Amoroso de Curitiba faz parte de um projeto que contempla as 12 capitais que receberão jogos da Copa do Mundo em 2014. O editor Rosel Soares decidiu empreender a proposta após ler o Dicionário Amoroso da França, de Denis Tillinac. “A ideia é que cada autor traduza a cidade onde vive. E isso por meio de verbetes”, afirma Soares.
Rosel Soares, Marcio Renato dos Santos e Osvalter Urbinati.

         O Dicionário Amoroso de Curitiba exemplifica o projeto. “Não é um guia tradicional da cidade. Mais que tudo, é literatura”, comenta Soares. No livro escrito por Marcio Renato dos Santos há verbetes sobre autofagia, chuva, banda Blindagem, timidez, umidade, Karol Conká, pinhão, entre outros assuntos conhecidos pelos habitantes de Curitiba.
O escritor Altair Martins assina o texto que está na orelha do Dicionário Amoroso de Curitiba e define o autor da obra, Marcio Renato dos Santos, como cronista, poeta, humorista e como “o ficcionista de Curitiba”, “da altura daqueles conterrâneos que admira e aos quais dedica uma letra de seu dicionário.”     

Serviço: Lançamento do Dicionário Amoroso de Curitiba, de Marcio Renato dos Santos, com ilustrações de Osvalter Urbinati. Dia 6 de maio (terça-feira), a partir das 19 horas. Local: Livrarias Curitiba – Shopping Estação (Av. Sete de Setembro, 2775, Centro, Curitiba-PR). Tel. (41) 3330-5119. Bate-papo com Marcio Renato dos Santos, Osvalter Urbinati e Rosel Soares, editor da Casarão do Verbo. Preço: R$ 30. 168 páginas.

Querer falar

No lançamento de "Querer falar", da Luci Collin, na Livraria da Vila, em Curitiba, dia 25 de abril de 2014.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Deu no Bessa

O jornalista Reinaldo Bessa deu uma nota em sua coluna, nesta quinta-feira 24 de abril de 2014, na Gazeta do Povo, sobre o lançamento do Dicionário Amoroso de Curitiba
Franco-amoroso
Timidez, garoa, autofagia, umidade, entre outras características da cidade compõem o Dicionário Amoroso de Curitiba, que será lançado no dia 6 de maio nas Livrarias Curitiba do Shopping Estação. De autoria do jornalista e escritor Marcio Renato dos Santos e com ilustrações de Osvalter Urbinati, o livro faz parte do projeto idealizado pela editora Casarão do Verbo que contempla as 12 capitais que receberão jogos da Copa do Mundo.
Eis a coluna.
A foto, do post, é da Lina Faria.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Uma Curitiba em verbetes

No dia 6 de maio (terça-feira), a partir das 19 horas, acontece o lançamento do Dicionário Amoroso de Curitiba na Livrarias Curitiba do Shopping Estação. Inicialmente, haverá bate-papo com a presença do autor do livro, Marcio Renato dos Santos [na foto acima registrado por Lina Faria], do ilustrador, Osvalter Urbinati, e do editor da Casarão do Verbo, Rosel Soares. Após a conversa com o público terá início a sessão de autógrafos. A entrada é franca.

Este livro sobre Curitiba faz parte de um projeto idealizado pela editora Casarão do Verbo e contempla as 12 capitais que receberão jogos da Copa do Mundo em 2014. O editor Rosel Soares decidiu empreender a proposta após ler o Dicionário Amoroso da França, de Denis Tillinac. “A ideia é que cada autor traduza a cidade onde vive. E isso por meio de verbetes, que podem ser contos, crônicas ou até mesmo poemas em prosa, misturando dados reais, ficções e memórias”, afirma Soares, explicando o que o leitor vai encontrar em cada um dos dicionários amorosos.

O Dicionário Amoroso de Curitiba exemplifica o projeto. “Não é um guia tradicional da cidade. Mais que tudo, é literatura”, comenta Soares. No livro escrito por Marcio Renato dos Santos há verbetes sobre autofagia, banda Blindagem, chuva, Karol Conká, timidez, garoa, umidade, pinhão, entre outras palavras conhecidas pelos habitantes de Curitiba.

“Também contemplei escritores nos verbetes. Jamil Snege, Fábio Campana, Roberto Gomes, Guido Viaro, Dalton Trevisan e Valêncio Xavier, entre outros, aparecem neste dicionário”, conta Marcio, autor dos livros de contos Minda-Au (Record, 2010) e Golegolegolegolegah! (Travessa dos Editores, 2013).

Já foram lançados pelo projeto os livros sobre Porto Alegre (texto de Altair Martins), Recife (por Urariano Mota) e Salvador (de autoria de João Filho). Ignácio de Loyola Brandão escreve o Dicionário Amoroso de São Paulo e Alvaro Costa e Silva, o Marechal, prepara o livro a respeito do Rio de Janeiro.



quinta-feira, 10 de abril de 2014

A crítica em crise

Ilustrações de Marcelo Cipis.

Em 2014, há crítica literária no Brasil? Existem diferentes e conflitantes respostas para a questão. O professor de teoria literária da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Eduardo Sterzi afirma que talvez nunca tenha existido tanta crítica literária no Brasil como no tempo presente. Para justificar o ponto de vista, ele apresenta uma lista mostrando onde é possível encontrar crítica literária: livros, revistas ditas acadêmicas, revistas literárias não acadêmicas, revistas de cultura em sentido amplo, jornais alternativos como o Atual ou o Tabaré, panfletos — como o Sopro, publicado pela editora Cultura e Barbárie, sites dedicados à literatura, blogs, redes sociais, etc.
Já Alcir Pécora, a exemplo de Sterzi, também professor de teoria literária na Unicamp, tem outro entendimento a respeito do assunto. Pécora acredita que a crítica literária — no sentido de juízo estético argumentado e sistemático de textos literários de várias épocas e lugares — está quase em extinção. “Na universidade, a tendência é mais para a pesquisa de fontes e o mapeamento histórico, de um lado, e para a teoria, de outro. No jornal, a crítica tende a ecoar os releases das editoras que, obviamente, estão restritos a lançamentos do mercado”, diz, completando que, neste momento — pelo fato de o mercado editorial pautar as avaliações — bem mais do que críticos, o que existe são os colunistas literários, meros intermediários entre as editoras e os cadernos de cultura.
Os argumentos de Sterzi e de Pécora, apesar de quase opostos, são coerentes e apontam para uma outra questão: há uma crise, uma mudança no segmento. Sterzi não acredita que a crítica literária esteja sumindo. Para ele, o que está desaparecendo é o espaço para a crítica nos meios tradicionais, como jornais e revistas. “Como esse fechamento do espaço vai de par com a progressiva perda de importância desses jornais e revistas no debate público sério, talvez não seja algo a se lamentar com grandes ênfases. Não se trata de uma crise da crítica, mas uma crise da imprensa comercial”, opina Sterzi, também autor dos livros de poesia Prosa e Aleijão.
José Castello tem noção dessa mudança que a internet provocou na crítica. “Não podemos avaliar a produção da crítica literária considerando apenas a mídia impressa. Hoje existem outras plataformas, igualmente dignas de respeito”, comenta o sujeito que é escritor, autor do romance Ribamar, e há sete anos titular de uma coluna de crítica literária publicada todo sábado no suplemento Prosa&Verso do jornal O Globo, além de manter um blog de literatura no Globo On Line.

Capa do extinto suplemento Ideias do Jornal do Brasil, um dos destaques do 
jornalismo brasileiro durante a década de 1990. 

Outro tempo de pensar o país
De um fato não há dúvida, nem discordância: durante os séculos XIX e XX, e nos primeiros anos do século XXI, os impressos abriam mais espaço para crítica, não apenas literária, mas também de teatro, cinema e televisão. Alcir Pécora tem uma explicação para o fato: “Havia mais espaço para, por exemplo, crítica literária nos séculos XIX e XX porque ela, a crítica, estava associada, de um lado à construção do estado nacional; de outro, estava associada a valores universais seguros, que permitiam uma ampla base de acordo nas avaliações estéticas.”
O professor da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas) Marcio Serelle tem uma avaliação do assunto similar à de Pecora. Ele acrescenta que a crítica literária já esteve melhor, do que é hoje, porque a literatura já esteve melhor — no sentido de que sua forma de mediação era central nas sociedades ocidentalizadas. “A cultura do livro era nodal para a intelectualidade e, muitas vezes, a entrada pelo literário era uma forma de pensar, no país, não apenas os aspectos estéticos concernentes a essa arte, mas a própria sociedade”, argumenta Serelle, doutor em teoria e história literária pela Unicamp.
A escritora Noemi Jaffe, também autora de textos críticos, observa que, no passado, além de mais espaço para crítica nos jornais, havia mais tempo para a leitura de artigos, cartas — “havia cartas” — e críticas. “Isso muda todo o ambiente crítico, porque tempo e espaço são fundamentais. Também tenho a impressão de que, anteriormente, os pares literários resistiam melhor às leituras dos colegas, mesmo se fossem negativas. Mas o que diferencia ontem de hoje tem a ver com a ideia de tempo maior [no passado]”, comenta Noemi.
Do passado, José Castello cita Otto Maria Carpeaux e Alvaro Lins (leia mais nas páginas XX), para ele, referências no que diz respeito à crítica literária. “Em vez de falar do passado, prefiro falar de hoje”, sugere Castello. Ele salienta que os críticos de formação mais densa continuam a ser importantes referências em meio ao grande burburinho que emana da mídia e, em especial, da mídia eletrônica. “Quanto mais disperso se torna um cenário, e a internet hoje é o lugar da dispersão, mais importante se torna termos algumas referências sólidas a que se apegar”, analisa Castello, citando Silviano Santiago, Flora Süssekind, Beatriz Resende, Davi Arrigucci, Leyla Perrone-Moisés, João Cezar de Castro Rocha e Luiz Costa Lima como nomes relevantes da crítica atual.

José Castello: titular de uma coluna publicada aos sábados em O Globo. Foto: Kraw Penas.

E o efeito da crítica?
O impacto da crítica, comentam os estudiosos, é relativo. Marcio Serelle, da PUC-Minas, apresenta dois exemplos para comprovar a tese. No início de seu percurso literário, Murilo Rubião (1916-1991) foi criticado por Alvaro Lins, o chamado “imperador” da crítica, que fez restrições ao escritor mineiro, apontando imperfeições que comprometeriam a obra do autor. Os comentários negativos, observa Serelle, não impediram que Rubião fosse, aos poucos, reconhecido — atualmente ele é considerado um dos grandes nomes da literatura brasileira.
“Tudo depende do chamado 'horizonte de expectativa' de uma época que, às vezes, é incapaz de identificar, em determinada obra, qualidades que serão reconhecidas posteriormente. Como a recepção de uma obra e de um autor é constantemente atualizada, esse movimento pode redirecionar a avaliação crítica de um escritor”, afirma Serelle.
O estudioso da PUC-Minas também recorre a um caso recente, o do escritor Paulo Lins, autor de Cidade de Deus, romance bem recebido pelo crítico Roberto Schwarz. “Mas essa boa recepção não impediu que outras críticas, não tão positivas, fossem publicadas posteriormente, num processo de reavaliação da obra”, diz Serelle, acrescentando que a obra de Paulo Lins se afirmou em nossa cultura por causa do cinema — do filme Cidade de Deus, dirigido por Fernando Meirelles.
Noemi Jaffe, por sua vez, avalia que uma crítica negativa, mesmo publicada em um veículo de ampla circulação, não é capaz de destruir e, se for positiva, também não é suficiente para alavancar uma carreira literária. Já Eduardo Sterzi analisa que o impacto da crítica depende de quem assina o texto crítico. “Quando o Luiz Costa Lima, o Roberto Schwarz ou a Flora Süssekind escrevem sobre determinado livro, a ressonância continua sendo bem grande, inclusive no plano jornalístico. De resto, constato que, a cada dia, há uma separação maior entre os livros destacados pela crítica jornalística na literatura contemporânea e os livros destacados pela crítica universitária”, afirma Sterzi.
Essa separação entre crítica jornalística e acadêmica é recorrente no discurso de quem estuda o assunto. Serelle explica que a crítica de jornal tem a função de avaliar as obras em circulação e de servir como farol orientador para o leitor. Já a acadêmica, que em um primeiro momento não tem compromisso com o padrão jornalístico, não precisa — necessariamente — tratar de obras nem de autores contemporâneos e pode ser mais extensa, reflexiva e aprofundada do que as resenhas jornalísticas.
Alcir Pécora garante que essas divisões existem mas, na prática, não esclarecem nada sobre a questão crítica propriamente dita. “Tanto a crítica universitária quanto a de jornal se encontram num momento ruim”, analisa. O especialista da Unicamp afirma que a crítica universitária vai mal porque, na falta de paradigmas seguros de crítica e com a banalização dos estudos culturais e identitários, ela tende, de um lado, aos mapeamentos de tom neutro e testemunhal e, de outro, à teoria poetizante — que se diz em voz baixa, como reza ou missa de neófitos e convertidos. Já a crítica jornalística, como ele costuma repetir, não passa de colunismo literário — ou seja, badalação das “apostas” das grandes editoras.

Eduardo Sterzi questiona os jornais tradicionais e acredita na força da internet. Foto: Reprodução.

Compreender ou julgar?
Eduardo Sterzi entende que a crítica tem de conferir inteligibilidade ao seu assombro diante de determinadas obras. “Isto é, compreender, ou pelo menos esforçar-se para compreender, especialmente aquilo que a princípio parece incompreensível, porque desordena nossas concepções até agora preponderantes de literatura, obra, texto, forma e autoria”, diz Sterzi, para quem um crítico não deve, jamais, pôr o ato de julgar à frente do esforço para compreender.
Alcir Pécora concorda com Sterzi nesse ponto: o crítico precisar estar mergulhado no legado cultural e, ao mesmo tempo, não formular juízos sem, antes, descobrir o decoro próprio das obras que examina. Mas Pécora faz uma ponderação. “Essa dupla submissão nada tem de servil: não se trata de falar bem sempre. Isso é papel do colunista literário. O crítico se submete ao objeto para descobrir como foi produzido e para avaliá-lo no conjunto do legado cultural efetivamente existente. Se a obra não apresentar novidade em relação a esse legado, deve ser desqualificada como obra de arte”, afirma Pécora.
O veterano professor da Unicamp também é conhecido pelos textos publicados na Folha de S.Paulo e na revista Cult, em geral, conteúdos que esquentam a temperatura da edição devido à exigência do crítico — ele raramente avalia positivamente, por exemplo, uma obra de um autor brasileiro contemporâneo. “Não tenho critérios absolutos ou pré-determinados. Para a Folha, salvo casos excepcionais, nem eu sugiro, nem alguém solicita: eu escolho escrever sobre uma obra entre as possibilidades apresentadas pelo responsável pela seção de livros. Mas, em geral, o responsável, quando me conhece bem, já me sugere livros que estão no horizonte daqueles que eu gostaria de fazer”, afirma Pécora, explicando o seu processo de seleção de títulos para comentar na imprensa.
José Castello diz se pautar pela agenda dos lançamentos editoriais. “No mais, meu critério para escolher um livro é, antes de tudo, pessoal. Recebo muitos livros e, é claro, não teria tempo para ler todos eles. Folheio, sondo, busco um fio que me interesse e então o sigo”, conta. O crítico do jornal O Globo afirma que negocia as suas escolhas com a editora do Prosa&Verso, Manya Millen. E, mais do que tudo, Castello faz questão de ressaltar a sua condição de leitor comum. “Em minhas críticas faço o relato de minha leitura pessoal. Como se eu fizesse uma viagem à Ásia e depois escrevesse uma carta para meu leitor relatando o que vi, o que senti, no que pensei, que imagens vieram à minha mente”, diz, definindo a sua maneira de escrever crítica literária.
Pécora lembra, ainda, que um crítico só não poder ser estúpido, desonesto e ignorante, “o que é absolutamente facultado ao artista. Vários grandes [artistas] foram isso tudo, com todos os méritos.” E Eduardo Sterzi, mais do que enunciar, faz uma pergunta que — por que não? — , pode definir a atividade de um crítico: “Não será a crítica literária também uma modalidade de ficção?”.

Matéria publicada na edição 33 do Cândido, jornal da Biblioteca Pública do Paraná. 

O Brasil é bom, em SP


O Brasil é Bom, no Rio


Altair Martins apresenta o Dicionário Amoroso de Curitiba

Foi numa fotografia que descobri Curitiba. Era meu pai, jóquei, campeão do Grande Prêmio de Tarumã.
Continuei descobrindo Curitiba de muitos modos. Através do Rascunho, esta que é a máxima publicação sobre literatura no país. Através do Vampiro da cidade (o Marcio inventa que Dalton Trevisan existe, inventa até que ele mora em Curitiba), do Paulo Leminski e do Jamil Snege. Se estive na cidade muitas vezes depois, é um detalhe que este Dicionário Amoroso de Curitiba pode espanar: Curitiba é o olhar de sua gente, esse olhar que o Marcio converte de inúmeras formas.
Estes verbetes me descobrem curitibano também. Sou mais um dividido entre o Atlético e o Coritiba, e talvez eu prefira ser a gralha do Paraná Clube, cuja torcida, conta o Marcio, cabe numa van. Este Marcio é cronista quando nos convida ao pastel da Brasileira, quando ilustra a fama verde da cidade, adentrando os parques como o Barigui e o São Lourenço, e também quando apresenta os museus, como o Guido Viaro e o olho sobre a água de Oscar Niemeyer. É poeta quando nos fala da delícia do pinhão (delícia histórica, já que, provavelmente, foi do pinhão que veio o nome da cidade – Corétuba, “muito pinheiro” em língua indígena). E o poeta ainda recupera a mistura de gente branca europeia com gente índia, traduzindo a cidade através da voz de Karol Conká. É humorista quando analisa a timidez e a vaia dos vizinhos, quando diz que os curitibanos, ao invés de autofágicos culturalmente, são em verdade uns reclamões.
Mas há mais: ao recuperar a incrível história da loira fantasma, que afasta os taxistas da noite curitibana, ou, ao me apresentar o Oil Man, aquele super-herói de sua cidade que, com o corpo besuntado de óleo e só de tanga, pedala pela capital dos paranaenses, para mim, o Marcio é o ficcionista de Curitiba, da altura daqueles conterrâneos que admira e aos quais dedica uma letra de seu dicionário.

Altair Martins, escritor.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Um amigo chamado Wilson Martins


Entrevistar Wilson Martins. Esse seria o meu teste para conseguir uma vaga na Top Magazine que passaria a circular em Curitiba a partir de abril de 1999. Eledovino Basseto Júnior, um dos mais competentes jornalistas em atividade na época, coordenava a transição da revista de Ponta Grossa para a capital paranaense. Na realidade, eu iria acompanhar o Eledovino na entrevista. E, às 10h de uma manhã de março, chegamos a um prédio na Avenida João Gualberto, no bairro Cabral, para o compromisso.

O Eledovino fez uma pergunta, no máximo duas, e quase não falou mais nada, observando com atenção, admirado, a conversa entre o Wilson Martins e eu. O resultado? O conteúdo, inicialmente previsto para ser um item secundário, foi para a capa da revista, com o título “Wilson Martins, um profissional da leitura”.

O crítico não disse nada que não tivesse contado em outras entrevistas realizadas anteriormente. No entanto, a maneira segura de enunciar, tudo, provocou impacto, em mim, e também no Eledovino. Martins falou do seu interesse por leitura, desde menino — “às vezes penso que li todo o acervo da Biblioteca Pública do Paraná”, comentou a respeito de seu método — “a minha fórmula é ler deitado: o livro que te adormece, nas dez primeiras páginas, não presta”, definiu a sua atividade — “o crítico é um sujeito que sabe ler e ensina os outros a ler”, entre outros assuntos.

Gravei a conversa, em um gravador de fita K-7, e ao transcrever, escutava, mais de uma vez, o depoimento daquele sujeito que falava com absoluta calma, demonstrando conhecer, a fundo, o seu ofício. Ele defendia teses que poderiam provocar polêmica até hoje. Era, por exemplo, contra o Estado financiar artistas. “Não há exemplo de grande escritor, em qualquer lugar do mundo, que tivesse dependido do incentivo externo para se expressar. Quem tem algo para fazer, faz. O iniciante, inclusive, precisa de obstáculos e desafios.”

A esposa de Martins, Ana, nos ofereceu suco de tomate, torradas, chá e café, mas o Eledovino e eu aceitamos, cada um, um copo de água e nos despedimos após duas horas de conversa.

Quando a Top Magazine, com uma foto do crítico na capa, saiu da gráfica, deixei cinco exemplares na portaria do prédio dele, e também um bilhete com o número do meu telefone, caso houvesse problemas no texto — ele poderia solicitar uma errata na edição seguinte.

Wilson Martins me telefonou.

Agradeceu por eu ter sido fiel a tudo o que ele disse. Não entendi e comentei que a obrigação do jornalista é publicar exatamente o que o entrevistado fala. Ele riu. E disse que é comum o repórter distorcer as palavras de quem concede entrevista. 
 
Em 1938, em Ponta Grossa: Martins era o editor do jornal Diário dos Campos. Crédito: Arquivo pessoal do crítico.

Brasil diferente
Foi possível participar ainda de mais uma edição da Top Magazine, que mudaria o nome para Top View e teria outra linha editorial, diferente do projeto jornalístico idealizado pelo Eledovino Basseto Júnior. Então, por interferência de Jamil Snege, o Miguel Sanches Neto conseguiu uma oportunidade para eu trabalhar na Imprensa Oficial do Paraná que, em 1999, dava início a um projeto editorial chamado Brasil diferente, em alusão a Um Brasil diferente, livro de Wilson Martins sobre o Paraná.

De 1999 a 2002, seriam publicados mais de 100 títulos, entre os quais a reedição fac-similar da revista Joaquim, editada por Dalton Trevisan entre 1946 a 1948; Contos reunidos, de Newton Sampaio, e A linguagem prometida, de Sérgio Rubens Sossélla. 
 
Aquele primeiro contato com Martins teria, inesperadamente, continuidade.

Ele foi o consultor para a edição dos diários do crítico Temístocles Linhares (1905-1993). Os manuscritos renderam seis volumes da série Diário de um crítico. Além de decifrar a escrita do autor, foi necessário resolver outro impasse. Nos diários, Linhares comentava sobre a sua rotina, mas também mencionava questões da vida literária e nunca escreveu um nome por extenso, apenas iniciais. Diante de um A. C., às vezes havia dúvida se a personalidade citada era Antonio Candido ou Antonio Callado. Então, era necessário consultar Wilson Martins.

Comecei a frequentar o apartamento de Martins, principalmente para levar ao crítico os diários do Temístocles Linhares. Aproveitava os encontros para comentar as críticas que ele escrevia, publicadas toda semana nos jornais O Globo e Gazeta do Povo. Terminava a leitura de um texto dele com muitas informações, não apenas sobre um livro e um autor, mas também sobre o período que determinado escritor viveu e escreveu a sua obra, sobretudo quando Martins comentava algum relançamento.
 
“É necessário conhecer todo o panorama de uma época, o contexto social, político e religioso de um local onde uma obra foi escrita. Também não dá para fazer um julgamento do passado com base nas ideias atuais. É preciso, enfim, muita cultura para não dizer bobagem”, disse Martins, durante aquele primeiro encontro. E, durante o convívio, percebi que ele colocava o discurso em prática.

O projeto Brasil diferente foi um sucesso, jornais e revistas de todo o país publicaram reportagens sobre a coleção de livros, ainda hoje lembrada e festejada por alguns. 2002 seria o último ano do segunda mandato de Jaime Lerner à frente do governo do Paraná; portanto, não havia nenhuma possibilidade de os integrantes da equipe de Miguel Sanches Neto, diretor-presidente da Imprensa Oficial, continuarem no órgão público. Martins e Sanches Neto sugeriram que eu fizesse mestrado para ampliar os conhecimentos e também por causa do título. Segui a recomendação deles, fiz a prova na Universidade Federal do Paraná (UFPR), fui aprovado e um novo ciclo se abria para mim, no qual Martins estaria, outra vez, presente.
Grandes nomes da literatura brasileira, como Jorge Amado, dialogavam Wilson Martins. Crédito: Arquivo pessoal do crítico.

A academia ou o deboche?
Além do mestrado, a partir de 2003 passei a atuar na Travessa dos Editores, outro emprego intermediado por Jamil Snege. Se durante as manhãs eu tinha o imaginário povoado por um discurso acadêmico, depois do meio-dia era o momento de conviver com Fábio Campana, Wilson Bueno e Snege, um trio que teve formação autodidata e, até por isso, três sujeitos de mentalidade antiacadêmica.

Campana, Bueno e Snege eram incendiários, caóticos, debochados, irreverentes e desconstrutores, inclusive de biografias alheias. Exatamente o oposto do que eu encontrava nas salas de aula e nos corredores da universidade. Acima de tudo, o trio era generoso. Eles me incentivavam a publicar ficção, que comecei a mostrar na revista ETC, da Travessa dos Editores, e nas páginas do jornal Rascunho, para onde produzi resenhas por dez anos.

Entre os dois mundos, a UFPR e a Travessa dos Editores, continuei em contato com Wilson Martins. Por telefone e pessoalmente. Quase todos os dias. E, apesar da proximidade, sentia vergonha, medo mesmo, de desenvolver algum discurso a respeito do universo literário diante dele. Wilson Martins era o sujeito que havia lecionado na UFPR e, de 1965 a 1991, foi professor titular de literatura brasileira na Universidade de Nova York. O mestre da crítica pesquisou por anos antes de escrever obras como História da inteligência brasileira, dividida em sete volume e mais de três mil páginas — um amplo estudo a respeito da manifestação cultural em nosso país, além de A crítica literária no Brasil e O modernismo — em segunda edição com o título A ideia modernista.

Diante de Martins, a quem sempre chamei de senhor Wilson, havia reverência.

Tinha a impressão de que ele conhecia todos os livros e todos os autores, e isso se confirmava a cada novo encontro. Ao citar, aleatoriamente, o nome Marques Rebelo, ele lembrava e discutia Oscarina, coletânea de contos do célebre autor carioca, atualmente pouco lembrado pelos jornalistas culturais. Quando Amilcar Bettega lançou Deixe o quarto como está, Martins avaliou positivamente o livro e me disse que o escritor gaúcho tinha algo dentro de si: “Esse é um autor, não tenho nenhuma dúvida. Preste atenção no que ele escreve.”

Martins me ajudou, por meio de conversas e sugestões de leitura, no processo da dissertação de mestrado, que defendi em 2005, e também em outras situações. Quando acabou a minha temporada na Travessa dos Editores, no final de 2007, fiquei sem saber para onde ir. “Vá até a Praça Carlos Gomes [endereço da Gazeta do Povo], peça para falar com a Ana Amélia Filizola [uma das proprietárias], se apresente e ela irá te contratar.” Essa foi a sugestão dele. Não sei se eu conseguiria realizar o que o crítico, e naquele contexto, já um amigo, recomendou. Mas um encontro com José Carlos Fernandes, um dos mais importantes jornalistas da Gazeta do Povo, na Rua XV, no centro de Curitiba, faria com que eu tivesse acesso a três anos e alguns meses dentro da redação do mais importante jornal paranaense.
Wilson Martins com Joaquim Inojosa, Plínio Doyle, Américo Jacobina Lacombe, Raul Bopp e 
Carlos Drummond de Andrade no Rio de Janeiro em 1964. Crédito: Arquivo pessoal do crítico.

Adeus, mestre — e amigo
O crítico foi secretário de redação do Diário dos Campos, de Ponta Grossa, em 1938. Ele comentou, mais de uma vez, que trabalhar dentro de um jornal ajuda a conhecer o ser humano, pelo fato de haver muitas pessoas, e vaidades, uma muito próxima da outra, atuando sob pressão. Fiquei três meses no noticiário geral, outros três na política e, em seguida, fui admitido na equipe do Caderno G.

Em alguns sábados, dividi a mesma página do caderno de cultura com o mestre. As resenhas que eu fazia sobre livros de autores brasileiros eram publicadas aos domingos e diariamente saía pelo menos uma matéria minha no jornal. Martins telefonava para comentar os textos. Em 2008, fui a Paraty fazer a cobertura jornalística da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), o que rendeu inúmeros textos e elogios do crítico — ele disse que realizei um trabalho razoável (ou honesto?, não lembro) no badalado evento literário.

Alguns textos de Martins começaram a apresentar problemas, mínimos, durante 2009. Nada grave, mas, por exemplo, determinados raciocínios não se completavam. Nas conversas com o crítico, tudo parecia normal. Mas um amigo comentou que ele poderia estar doente. Então, a editora-executiva do Caderno G, a jornalista Marleth Silva, pediu para eu começar a pesquisa e as entrevistas para a homenagem póstuma.

O poeta e ensaísta Affonso Romano de Sant'Anna me disse, quando o procurei para dar um depoimento sobre Martins, que ele também recebeu uma encomenda similar, no caso, a respeito de Carlos Drummond de Andrade. Sant'Anna comentou que era complicado conversar diariamente com Drummond e ao mesmo tempo preparar o obituário dele. Eu fazia o mesmo.

31 de janeiro de 2010, um domingo. Oscar Röcker Netto, o chefe de redação da Gazeta do Povo, me telefona. Eram 8 horas. Wilson Martins havia morrido no dia anterior, 30 de janeiro, às 20h55. Eu estava de plantão. Röcker Netto me informou onde o corpo estava sendo velado, e fui até o Cemitério Luterano de Curitiba. Passei algumas horas no velório, entrevistei parentes e amigos de Martins e, então, segui para a redação da Gazeta do Povo.

Duas páginas do primeiro caderno estavam reservadas, além da chamada na capa. Eu havia preparado linha do tempo, com a cronologia da vida e obra de Martins. Apesar do impacto emocional, foi possível organizar as informações e os depoimentos, entre outros, de Alcir Pécora, André Sefrrin, Ivan Junqueira e Moacyr Scliar. Consegui escrever quatro textos em menos de quatro horas.

No dia seguinte, 1º de fevereiro, li na edição impressa o material. Escrevi que ele foi um dos últimos intelectuais que pensaram a cultura de forma ampla, e não generalista, no Brasil. Ressaltei que Martins buscou independência para escrever o que pensava e, para isso, evitou conviver com escritores. Também fiz questão de lembrar que, nos 88 anos em que viveu, 70 foram dedicados a ler e a tentar compreender o fenômeno literário. Faltou contar, na reportagem, que ele era gentil e um conversador agradável, tinha senso de humor incomparável e que, para mim, foi um grande — e insubstituível — amigo.


Reprodução de parte do especial que a Gazeta do Povo publicou no dia 1.º de fevereiro de 2010:
 homenagem ao mestre da crítica. Crédito: Reprodução. 


Texto publicado originalmente na edição 33, de abril de 2014 do jornal Cândido.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Bia


Beatriz foi chamada de Bea até a adolescência e, depois dos dezoito, é a Bia, a mesma que agora segue como se fosse uma suicida em cima de uma bicicleta em meio ao trânsito do centro. Motoristas tiram fina, ônibus quase a atropelam enquanto ela pedala. É bióloga em uma empresa que paga o seu salário com o dinheiro da venda de perfumes – ela atua na área de proteção ambiental.

São 9:24.

Bia acordou atrasada. Ontem, entrou no Face só pra ver se havia alguma mensagem e ficou mais de uma hora. Os seus amigos e conhecidos da internet estão cada vez mais agressivos – ela pensou nisso ao desligar o computador. Abriu uma garrafa de vinho tinto e pegou um caderno. Um brinde, desejou a si mesma, antes de escrever o nome dos treze homens e quinze mulheres com quem ficou nos últimos três, quatro anos.

Um entregador de encomendas, dirigindo uma moto, quase faz Bia cair da bicicleta. Ela escuta e canta People are strange, do Doors.

São 9:36.

Se não houver imprevisto, vai escutar Honey, do Moby, Pur, do Cocteau Twins, Um dia comum (em SP), do Suba e Epistrophy, do Thelonious Monk. Estão em sequência no aparelho portátil que armazena faixas musicais que ela ganhou do Guga, um carinha, gordinho, que conheceu em janeiro.

Bia ganhou bodes em uma rifa, alugou espaço em um sítio e começou uma criação. Os caprinos se reproduziram, ela nem lembrava mais dos bichos, mas estava frequentando a macumba chique e, lá, alguém precisava de bodes para uns trabalhos.

A bióloga passou a fornecer bodes pra macumba. Quem pedia era o Douglas, um produtor cultural que sempre vestia, literalmente, a camisa dos projetos, onde quer que estivesse. Inclusive no terreiro. Quando tinha equipe de jornalismo, ele dava entrevista por, naquele momento, e geralmente apenas naquela situação, receber alguma entidade. Bia começou a perder a fé naquilo, na macumba, por causa das performances do Douglas. Uma noite, ele a convidou pra sair. E brochou. Mas isso faz tempo.

Agora, já são 10 horas.

Chove. Bia tem a impressão de que há mais carros nas ruas do que nos outros dias. Ela lê no muro a frase “Uma mulher sem homem é como um peixe sem uma bicicleta”. Consegue identificar o nome da autora da frase: Gloria Steinem. Se estivesse caminhando e com papel e caneta, anotaria aquilo. Também poderia tirar uma foto com o celular. Mas não. Tem pressa. E não entendeu o que a autora quis dizer.

Bia segue.

São 10:17.

A bióloga entrou em uma avenida que faz com que ela fique cada vez mais longe do escritório. Hoje Bia não vai trabalhar. Isso ela decidiu agora. Existe outra urgência. Conversar com Anita, a DJ, a que sempre tem uma frase, “não vá para a cama no primeiro encontro” ou “nunca deixe perceber que o jogo está ganho”. Anita e Bia foram para a cama no primeiro encontro e a bióloga nunca escondeu que, desde a primeira troca de olhares, estava a fim da DJ.

“No amor, as mulheres são profissionais; os homens, amadores”. Anita enviou essa frase do Truffaut para Bia pelo Face. A bióloga lembra disso enquanto pedala e gostaria de sussurrar, neste instante, para a DJ: “Que bom. Então, vamos aproveitar o nosso profissionalismo?”

Bia sorri.


Conto publicado originalmente na Ideias de abril de 2014. Ilustra de Osvalter Urbinati.

Dicionário Amoroso de Curitiba no portal RICMAIS


O portal RICMAIS, da Rede Record no Paraná, destacou o lançamento do Dicionário Amoroso de Curitiba, dia 6 de maio na Livrarias Curitiba do Shopping Estação. Leia a reportagem.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Dicionário Amoroso de Curitiba com pinta de best seller

O jornalista Aroldo Murá Gomes Haygert, o professor, mestre dos jornalistas em Curitiba, afirma em sua coluna no jornal Indústria&Comércio. "Uma editora baiana, a Casarão do Verbo, vai lançar aquele que, na minha opinião, tenderá a ser um dos livros mais vendidos do ano na cidade." Murá se refere ao Dicionário Amoroso de Curitiba. Leia a coluna na íntegra.

Dia 6 de maio de 2014 na Livrarias Curitiba

Curitiba traduzida em verbetes
Editora baiana Casarão do Verbo lança o Dicionário Amoroso de Curitiba no dia 6 de maio na Livrarias Curitiba do Shopping Estação com a presença do autor, do ilustrador e do editor

No dia 6 de maio (terça-feira), a partir das 19 horas, acontece o lançamento do Dicionário Amoroso de Curitiba na Livrarias Curitiba do Shopping Estação. Inicialmente, haverá bate-papo com a presença do autor do livro, Marcio Renato dos Santos, do ilustrador, OsvalterUrbinati, e do editor da Casarão do Verbo, Rosel Soares. Após a conversa com o público terá início a sessão de autógrafos. A entrada é franca.
         
Este livro sobre Curitiba faz parte de um projeto, idealizado pela editora Casarão do Verbo, e contempla as 12 capitais que receberão jogos da Copa do Mundo em 2014. O editor Rosel Soares decidiu empreender a proposta após ler o Dicionário Amoroso da França, de Denis Tillinac. “A ideia é que cada autor traduza, da melhor maneira que conseguir, a cidade onde vive. E isso por meio de verbetes, que podem ser contos, crônicas ou até mesmo poemas em prosa, misturando dados reais, ficções e memórias”, afirma Soares, explicando o que o leitor vai encontrar em cada um dos dicionários amorosos.

O Dicionário Amoroso de Curitiba exemplifica o projeto. “Não é um guia tradicional da cidade. Mais que tudo, é literatura”, comenta Soares. No livro escrito por Marcio Renato dos Santos há verbetes sobre autofagia, chuva, timidez, umidade, pinhão, entre outros assuntos conhecidos pelos habitantes de Curitiba.

“Também contemplei escritores nos verbetes. Jamil Snege, Fábio Campana, Roberto Gomes, Guido Viaro, Dalton Trevisan e Valêncio Xavier, entre outros, aparecem nesse dicionário, que inclui observações, minhas, a respeito de cicloativismo, Atletiba, banda Blindagem, Santa Felicidade, Karol Conká e também sobre os imitadores do poeta Paulo Leminski. Ou seja, é um livro sobre a cidade a partir do meu imaginário”, conta Marcio, autor dos livros de contos Minda-Au (Record, 2010) e Golegolegolegolegah! (Travessa dos Editores, 2013).

Já foram lançados, pelo projeto, os livros sobre Porto Alegre (texto de Altair Martins), Recife (por Urariano Mota) e Salvador (de autoria de João Filho). Ignácio de Loyola Brandão escreve o Dicionário Amoroso de São Paulo e Alvaro Costa e Silva, o Marechal, prepara o livro a respeito do Rio de Janeiro.

Serviço: Lançamento do Dicionário Amoroso de Curitiba, de Marcio Renato dos Santos, com ilustrações de OsvalterUrbinati. Dia 6 de maio (terça-feira), a partir das 19 horas. Local: Livrarias Curitiba – Shopping Estação (Av. Sete de Setembro, 2775, Centro, Curitiba-PR). Bate-papo com Marcio Renato dos Santos, Osvalter Urbinati e Rosel Soares, editor da Casarão do Verbo. Em seguida, autógrafos. Preço do livro: R$ 30. 144 páginas.