segunda-feira, 7 de junho de 2021

Curitiba de Graça destaca a décima quarta edição de "Às vezes, aos domingos"

 

O Curitiba de Graça destaca a décima quarta edição de "Às vezes, aos domingos", confira:

Antonio Cescatto e Marco Aurélio Cremasco são os convidados da décima quarta edição de “Às vezes, aos domingos”, bate-papo virtual que acontecerá no dia 20 de junho, a partir das 17h, no Instagram @antoniocescatto.

 

Durante o encontro, os autores irão se entrevistar e ler textos autorais, mas com um detalhe: eles não se conhecem. “Não vejo problema em participar de uma live com um escritor que, pessoalmente, ainda não tive contato”, diz Cescatto, que acaba de receber livros de Cremasco, para quem também enviou as obras que publicou: o romance “O mundo não é redondo” (Travessa dos Editores, 2010), as novelas “Preponderância do pequeno” (Kafka, 2011), “Cloaca” (Kafka, 2012), e a coletânea de poemas “O livro das coisas menores” (7Letras, 2018).

 

Marco Aurélio Cremasco também diz não encontrar empecilhos em dialogar com alguém que, até então, para ele, era desconhecido. “A expectativa é a de conhecer alguém que se dedica à literatura em todos os seus matizes”, afirma Cremasco, que acaba de publicar o livro de contos A solidão dos anjos (Confraria do Vento).

 

Segundo os curadores do “Às vezes, aos domingos”, Marcio Renato dos Santos e Guido Viaro, o projeto, além de dar visibilidade para autores paranaenses, também tem a finalidade de criar pontes e aproximar vozes literárias que ainda não se conhecem, mas que, por meio de suas obras, estabelecem diálogos e conexões.

 

Caminhos de criadores

Paranaense de Guaraci, situada na região de Londrina, no norte do estado, Marco Aurélio Cremasco vive desde 1986 em Campinas. Engenheiro químico, é professor na Faculdade de Engenharia Química na Unicamp, onde também atua como assessor da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura.

 

Publicou quatro livros relacionados à química, o mais recente é “Difusão mássica” (Blucher, 2019). Mas, também é autor de seis obras poéticas, entre as quais “As coisas de João Flores” (Editora Patuá, 2014) e “Bilros” (Editora Patuá, 2020). Com “Santo Reis da Luz Divina” (Record, 2004) conquistou o Prêmio Sesc de Literatura.   Cremasco também é autor da longa narrativa “Guayrá” (Confraria do Vento, 2017) e transitou pelo contos em duas coletâneas e na crônica com “Onde se amarra a terra vermelha” (Nave, 2018).

 

Já o curitibano Antonio Cescatto formou-se em Medicina pela PUCPR, mas dedicou-se à publicidade. Em 1985, procurou Ernani Buchmann, escritor e na época publicitário, na agência Exclam em busca de um emprego. Buchmann abriu as portas e Cescatto trabalhou por dois anos na Exclam, depois passou temporadas como redator publicitário na OpusMúltipla e na Master até que, em 1996, entrou na Heads, onde atuou como diretor de criação durante 24 anos – saiu da empresa no final de 2019. Em seguida, em meio à pandemia, Cescatto fundou, em parceria com o amigo Kike Borell, a agência OAK.

 

Palco virtual para a prosa e a poesia do Paraná

Oscar Nakasato, Jaqueline Conte, Paulo Venturelli, Andréia Carvalho Gavita, Carlos Machado, Etel Frota, Luiz Felipe Leprevost, Jonatan Silva, João Lucas Dusi, Jô Bibas, Alvaro Posselt, Francine Cruz, Otto Leopoldo Winck, Alexandre Gaioto, Eliege Pepler, Fabiano Vianna, Marianna Camargo, Fábio Campana, Ernani Buchmann e Roberto Nicolato são alguns dos autores que já participaram de “Às vezes, aos domingos”.

 

A iniciativa tem o apoio da Soma de Ideias, Tulipas Negras e Coalhada Artesanal Preciosa.  Mais informações no Instagram @somadeideias e em tulipasnegraseditora.blogspot.com.


sábado, 5 de junho de 2021

Lúcia McCartney

 

Hoje tem Lúcia McCartney (1969), de Rubem Fonseca: A qualidade dos contos de Rubem Fonseca já era conhecida em 1969 – Os prisioneiros, a sua estreia, é de 1963 e, dois anos depois, ele publicou A coleira do cão. Neste terceiro livro, obra em progresso, o autor consegue resultados impressionantes, como no conto que dá nome ao livro.

[Os Beatles aparecem nesta obra literária, indiretamente, por meio do sobrenome (de guerra) da garota de programa que atua na zona sul do Rio de Janeiro, a Lúcia McCartney, fã do Paul, e ainda no título do conto "Um dia na vida", referência à canção homônima de Lennon e McCartney, um dos muitos destaques do Sargent Peppers].

Em "Lúcia McCartney", há recursos gráficos para sugerir representação verossímil do que se imagina e daquilo que é dito, e calado, em uma conversa, além da fragmentação – recurso recorrente em textos desta coletânea.

Há fragmentos notáveis no conto "Lúcia McCartney", especialmente a partir do momento em que ela se apaixona pelo cliente José Roberto e, para materializar o que digo, transcrevo dois parágrafos da narrativa:

"Ir para a cama com ele é cada vez melhor. Ele sabe amar, me deixa louca, horas seguidas. Me deixa mortinha – durmo direto e quando acordo ele está calmamente lendo um livro ou fumando cachimbo e ouvindo música naqueles fones dele, pronto pra me amar de novo.

Amanhã ele vai para São Paulo, ou Buenos Aires ou Lima, o assunto não ficou esclarecido. É meia-noite e ele diz que tem o que fazer, que tem que sair. Isso apenas, 'tenho que sair'. Coloca um monte de dinheiro na minha bolsa: 'para você ir à boate'."

A solidão de Lúcia McCartney é tão ou mais aguda que a de outros personagens, como a do protagonista de "O desempenho", um lutador que conhece as vaias e os aplausos, ambos, para ele, parecidos, quase iguais.

Além de questões quase dissecadas, como a do possível ressentimento de cada funcionário com todo chefe ("J. R. Harder, Executive"), e, no caso deste conto, a maneira inusitada de apresentar o problema, o que também se sobressai é a fluidez da linguagem que, sem exagero, hipnotiza, prende mesmo o leitor – característica de toda a obra que Rubem Fonseca (1925-2020) construiu.

sexta-feira, 4 de junho de 2021

Alguns livros que fazem a cabeça de Antonio Cescatto


Marco Aurélio Cremasco e Antonio Cescatto [foto] são os convidados da décima quarta edição de "Às vezes, aos domingos". O encontro acontece em 20 de junho, a partir das 17 horas, no Instagram @antoniocescatto. Seguindo o modelo da proposta, que idealizei em parceria com o Guido Viaro, eles vão se entrevistar e ler textos autorais.

 

Durante a live, se o Marco Aurélio Cremasco perguntar, o Antonio Cescatto pode falar sobre alguns livros que ele leu recentemente.

 

"Nunca leio um livro apenas", conta. E, continuando, completa que não se prende a um único gênero.

 

"Em matéria de poesia, destaco a descoberta [para mim] de dois poetas jovens, o André Dahmer e a Bruna Beber. Apesar da presença visível de toda uma tradição (poesia concreta, poesia marginal, Bandeira, Drummond, Leminski), são autores que encontraram dicções muito particulares. E que pensam um livro de poesia não como uma coletânea desordenada de poemas, mas como um projeto", analisa Cescatto.

 

O livro do André [Impressão sua, de 2021, é o mais recente], traz, no entendimento de Cescatto, poemas "[cada um] com vida própria, mas todos se conectam em torno do projeto maior".

 

Outra obra que deixou Cescatto, como ele mesmo diz, "de queixo caído" é O Mez da Grippe, do [genial] Valêncio Xavier, "um prodígio de imaginação e arquitetura".

 

Palco virtual para a prosa e a poesia do Paraná

Oscar Nakasato, Jaqueline Conte, Paulo Venturelli, Andréia Carvalho Gavita, Carlos Machado, Salma Ferraz, Fábio Campana (1947-2021), Jô Bibas, Luiz Felipe Leprevost, Daiana Pasquim, Jonatan Silva, João Lucas Dusi, Etel Frota, Alvaro Posselt, Francine Cruz, Alexandre Gaioto, Roberto Nicolato, Eliege Pepler, Fabiano Vianna, Marianna Camargo, Ernani Buchmann e Otto Leopoldo Winck são alguns dos autores que participaram de "Às vezes, aos domingos".

 

Soma de Ideias, Tulipas Negras e Coalhada Artesanal Preciosa são as empresas apoiadoras da iniciativa que tem a finalidade de promover palco virtual para autores paranaenses durante a pandemia.