segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Quase sem querer

 

Está escuro e o fusca segue, estamos em cinco, outros dois e eu no banco de trás, e tem som, se de fita k-7 ou rádio?, canções enfim, uma após a outra, e risadas. A rodovia dá acesso à cidade onde ainda moro, e de onde vou partir em alguns anos, e é pra lá, para aquele endereço que o carro está indo.

 

Tem gasolina suficiente, não há obstáculos na pista e o então amigo, que nos próximos anos vai desaparecer de minha vida, consegue dirigir apesar das cervejas que bebeu – no futuro, se tivesse uma blitz, ele seria preso por embriaguez e nós, os quatro passageiros, possivelmente também iríamos para a delegacia se no caminho tivesse uma batida policial.

 

Mas não teve blitz.

 

O problema, eu não poderia prever, veio por trás.

 

Luzes em meio à escuridão acima do fusca. E, em seguida, estouros.

 

Não eram rojões, e sim tiros, disparos de armas de fogo efetuadas possivelmente por pessoas dentro de carros que, percebi apenas após a sequência de luz e som, enfim, dois ou três carros, não sei quantos ao certo, nos perseguiam.

 

A tensão já passou, aquele evento teve um final, se não feliz, ao menos não trágico.

 

Mas, enfim, naquela madrugada eu e os outros então amigos nos olhamos, por segundos, todos estávamos com medo, e o temor era o de perder a vida.

 

O fusca a mais de oitenta quilômetros por hora, quando um dos carros de onde saíam tiros nos ultrapassou.

 

Se o motorista daquele carro desse um cavalo de pau, trancando a pista, e os desconhecidos saíssem do carro atirando em nossa direção, poderia ter acontecido um evento irreversível.

 

Mas o automóvel nos ultrapassou e desapareceu, deve ter atingido mais de cem, cento e vinte ou cento e trinta quilômetros por hora – talvez a ideia daquele motorista tenha sido nos desafiar para um racha, não sei, nunca entendi.

 

Outros carros, os que estavam atrás, deixaram de nos perseguir. Algo, que não sei o que foi, aconteceu. Talvez os disparos contra o fusca tenham sido provas de virilidade suficientes para os desconhecidos que nos hostilizaram.

 

Há quantos tempo não lembrava da cena?

 

Também esqueci o nome daqueles amigos com quem eu estava dentro do fusca quase perfurado por balas em uma madrugada.

 

Nem lembro como nem por meio de quem soube que aqueles desconhecidos que atiraram contra o fusca eram namorados, antigos ou futuros amantes daquelas lindas e desconhecidas mulheres com quem eu e meus quatro então amigos flertamos.

 

Também soube que, naquele contexto, os quatro amigos e eu não poderíamos pisar outra vez naquela cidade onde entramos em um clube no fim de um sábado.

 

 

Já passaram das quatro e meia, e andar pelas ruas neste horário é um dos poucos hábitos imutáveis. Nem a chuva me impede.

 

Um, dois, três quatro moradores de rua acordados, alguns me cumprimentam, a maioria dorme, e eles ocupam quase todas as calçadas.

 

Dois carros, uma moto. O ônibus. E só. É possível caminhar no asfalto.

 

Nenhuma estrada me levou outra vez até aquela cidade, onde, quatro então amigos e eu bebemos, dançamos e, sem saber, transgredimos.

 

Ali, a poucos passos, tinha um restaurante, hoje é farmácia, e há décadas, eu soube, o espaço também foi depósito de armas e sapataria.

 

A porta por onde eu passava, quando era cliente do restaurante, foi fechada com cimento. Hoje o acesso à farmácia é na rua lateral, mas não desejo entrar nesse ou em outros espaços fechados.

 

Daqui a alguns instantes devem surgir os tons da manhã, a madrugada já acabou – e, com a sensação de não conhecer mais o trajeto, estou indo de volta pra casa com a melodia de uma canção da qual não lembro o nome, mas sei cantarolar, mesmo desafinado e fora do ritmo, sim, eu sei.


Cena da sexta edição de Às vezes, aos domingos

Alvaro Posselt e Andréa Carvalho Gavita.
22 de novembro de 2020.

 

sábado, 21 de novembro de 2020

Paraná é o berço da nova poesia brasileira

O Blog do Tupan, com a manchete “Paraná é o berço da nova poesia brasileira”, divulga a sexta edição de “Às vezes, aos domingos”. O evento acontece amanhã, 22 de novembro, com Alvaro Posselt e Andréia Carvalho Gavita, a partir das 17 horas, no Instagram @alvaroposselt.

 

Clique aqui e confira a postagem ou, se quiser, leia a seguir o conteúdo:

 

“Às vezes, aos domingos”, projeto mensal com autores paranaenses, realiza neste domingo, 22 de novembro, a sua sexta edição e tem como convidados Alvaro Posselt e Andréia Carvalho Gavita. Gratuito, o evento acontece a partir das 17 horas no Instagram @alvaroposselt. Posselt e Andréia devem conversar sobre poesia, processo criativo, obras publicadas e também vão ler poemas autorais.

 

Um dos idealizadores do projeto, o escritor Guido Viaro lembra que, como o escritor russo Tolstói disse, para ser universal devemos cantar a nossa aldeia. “E o projeto ‘Às vezes, aos domingos’ é uma maneira de a aldeia cantar seus poetas e prosadores”, diz Viaro, que acaba de publicar o seu décimo oitavo romance, Trem.

 

O comentário de Viaro define a finalidade do projeto: divulgar poetas e escritores do Paraná. Em junho, ele convidou o escritor Marcio Renato dos Santos para fazer uma live, o que resultou não apenas em um encontro virtual, mas nesta proposta que, uma vez por mês, viabiliza o encontro de dois autores paranaenses. “A pandemia nos impulsionou a buscar uma alternativa para que escritores e poetas tivessem visibilidade”, comenta Santos, autor de 8 livros de contos, entre os quais A cor do presente (2019).

 

Descentralizado, plural

 

Ponta-grossense, Andréia Carvalho Gavita é autora, entre outros títulos, dos livros de poemas A cortesã do infinito transparente (2011), Grimório de Gavita (2014), Panfletos de Pavônia (2017) e Neônia (2019). Mediadora no Coletivo Marianas, participa da edição da revista Zunái, trabalha no Departamento de Ciências Florestais da UFPR e é graduada em Gestão Ambiental.

 

Já o curitibano Alvaro Posselt tem 9 livros de poemas publicados. Divulga a poesia em oficinas nas escolas públicas. Transformou sua casa em um espaço cultural, a Casa Posselt. Alguns de seus poemas breves foram pintados em mural na Travessa da Lapa, no centro de Curitiba. Um deles ficou famoso: “Curitiba não nos poupa/ Ontem tomei sorvete/ Hoje tomo sopa”.

 

Já participaram de “Às vezes, aos domingos” Jaqueline Conte, Jonatan Silva, Carlos Machado, Jô Bibas, Etel Frota, João Lucas Dusi, Ernani Buchmann, além dos dois curadores, Guido Viaro e Marcio Renato dos Santos, no primeiro encontro, em julho. “Convidamos autores de obras que admiramos, e eles e elas são muitos, tantos. É possível seguir com essa proposta por um longo tempo”, dizem, em coro, Guido Viaro e Marcio Renato dos Santos.

 

“O projeto permite dar visibilidade para a atividade literária local, divulgar o trabalho e os profissionais para a comunidade local, transformando-se gradualmente em uma marca, que pode gerar outras ações”, afirma Claudia Lubi, publicitária e uma das sócias da Soma de Ideias, empresa apoiadora da proposta e responsável pela identidade visual de “Às vezes, aos domingos”.

 

Informações sobre o evento e as próximas atrações no Instagram @somadeideias e no blog tulipasnegraseditora.blogspot.com


 

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Barulho Curitiba informa: Sexta edição de 'Às vezes, aos domingos' traz dois poetas paranaenses

 

O Barulho Curitiba, do Bem Paraná, informa: neste domingo, 22, acontece a sexta edição de “Às vezes, aos domingos” com Alvaro Posselt e Andréia Carvalho Gavita, a partir das 17 horas, no Instagram @alvaroposselt.

Confira o conteúdo publicado pelo Barulho Curitiba a seguir:

 

Alvaro Posselt e Andréia Carvalho Gavita são os convidados da sexta edição do projeto “Às vezes, aos domingos”, que acontece em 22 de novembro, a partir das 17 horas, no Instagram @alvaroposselt. Eles devem conversar sobre poesia, processo criativo e obras publicadas em um formato em que um autor entrevista o outro durante 60 minutos – também vão ler poemas autorais.

 

“‘Às vezes, aos domingos’ é uma maneira de a aldeia cantar seus poetas e prosadores”, diz o escritor Guido Viaro, um dos curadores da proposta. Tudo começou quando Viaro convidou o escritor Marcio Renato dos Santos para fazer uma live. Santos aceitou o convite, batizou o projeto, que resultou não apenas em um encontro virtual, mas neste ciclo de bate-papos mensais, que a cada edição abre espaço para dois autores paranaenses.

 

“Faz tempo que o Guido e eu gostaríamos de realizar um projeto com autores e autoras paranaenses, e a pandemia nos impulsionou a elaborar esse modelo de evento on-line”, comenta Marcio Renato dos Santos, curador e também responsável pela assessoria de imprensa do projeto por meio da Tulipas Negras Editora.   

Já participaram de “Às vezes, aos domingos” Jaqueline Conte, Jonatan Silva, Carlos Machado, Etel Frota, João Lucas Dusi, Ernani Buchmann e Jô Bibas, além dos dois curadores, Guido Viaro e Marcio Renato dos Santos, no primeiro encontro, em julho. “Convidamos autores de obras que admiramos, e eles e elas são muitos, tantos. É possível seguir com essa proposta por um longo tempo”, dizem, em coro, Guido Viaro e Marcio Renato dos Santos.

 

“O projeto permite dar visibilidade para a atividade literária local, divulgar o trabalho e os profissionais para a comunidade local, e até mesmo nacional, transformando-se gradualmente em uma marca, que pode gerar outras ações”, afirma Claudia Lubi, publicitária e uma das sócias da Soma de Ideias, empresa apoiadora da proposta e responsável pela identidade visual de “Às vezes, aos domingos”.

 

Saiba quem são os convidados da 6.ª edição de “Às vezes, aos domingos”

 

Andréia Carvalho Gavita é autora, entre outros títulos, dos livros de poemas A cortesã do infinito transparente (2011), Grimório de Gavita (2014), Panfletos de Pavônia (2017) e Neônia (2019). Mediadora no Coletivo Marianas, participa da edição da revista Zunái. Trabalha no Departamento de Ciências Florestais da UFPR e é graduada em Gestão Ambiental.


Já Alvaro Posselt tem 9 livros publicados. Alguns de seus haicais foram pintados em mural na Travessa da Lapa, no centro de Curitiba. Um deles ficou famoso: “Curitiba não nos poupa/ Ontem tomei sorvete/ Hoje tomo sopa”. Divulga voluntariamente o haicai em oficinas nas escolas públicas. Transformou sua casa em um espaço cultural, a Casa Posselt.

 

Informações sobre o evento e as próximas atrações no Instagram @somadeideias e no blog tulipasnegraseditora.blogspot.com


quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Domingo é dia de live de poesia

O CabezaNews informa: neste domingo, 22, acontece a sexta edição do projeto “Às vezes, aos domingos” com a participação de Alvaro Posselt e Andréia Carvalho Gavita. O evento on-line tem início às 17 horas no Instagram @alvaroposselt.

 

Confira, a seguir, o conteúdo publicado no portal de Foz do Iguaçu:

 

“Às vezes, aos domingos”, projeto mensal com autores paranaenses, realiza neste domingo, 22 de novembro, a sua sexta edição e tem como convidados Alvaro Posselt e Andréia Carvalho Gavita. Gratuito, o evento acontece a partir das 17 horas no Instagram @alvaroposselt. Posselt e Andréia devem conversar sobre poesia, processo criativo, obras publicadas e também vão ler poemas autorais.

Um dos idealizadores do projeto, o escritor Guido Viaro lembra que, como o escritor russo Tolstói disse, para ser universal devemos cantar a nossa aldeia. “E o projeto ‘Às vezes, aos domingos’ é uma maneira de a aldeia cantar seus poetas e prosadores”, diz Viaro, que acaba de publicar o seu décimo oitavo romance, Trem.

O comentário de Viaro define a finalidade do projeto: divulgar poetas e escritores do Paraná. Em junho, ele convidou o escritor Marcio Renato dos Santos para fazer uma live, o que resultou não apenas em um encontro virtual, mas nesta proposta que, uma vez por mês, viabiliza o encontro de dois autores paranaenses. “A pandemia nos impulsionou a buscar uma alternativa para que escritores e poetas tivessem visibilidade”, comenta Santos, autor de 8 livros de contos, entre os quais A cor do presente (2019).

 

Descentralizado, plural

Ponta-grossense, Andréia Carvalho Gavita é autora, entre outros títulos, dos livros de poemas A cortesã do infinito transparente (2011), Grimório de Gavita (2014), Panfletos de Pavônia (2017) e Neônia (2019). Mediadora no Coletivo Marianas, participa da edição da revista Zunái, trabalha no Departamento de Ciências Florestais da UFPR e é graduada em Gestão Ambiental.

Já o curitibano Alvaro Posselt tem 9 livros de poemas publicados. Divulga poesia em oficinas nas escolas públicas. Transformou sua casa em um espaço cultural, a Casa Posselt. Alguns de seus poemas breves foram pintados em mural na Travessa da Lapa, no centro de Curitiba. Um deles ficou famoso: “Curitiba não nos poupa/ Ontem tomei sorvete/ Hoje tomo sopa”.

Já participaram de “Às vezes, aos domingos” Jaqueline Conte, Jonatan Silva, Carlos Machado, Jô Bibas, Etel Frota, João Lucas Dusi, Ernani Buchmann, além dos dois curadores, Guido Viaro e Marcio Renato dos Santos, no primeiro encontro, em julho. “Convidamos autores de obras que admiramos, e eles e elas são muitos, tantos. É possível seguir com essa proposta por um longo tempo”, dizem, em coro, Guido Viaro e Marcio Renato dos Santos.

“O projeto permite dar visibilidade para a atividade literária local, divulgar o trabalho e os profissionais para a comunidade local, transformando-se gradualmente em uma marca, que pode gerar outras ações”, afirma Claudia Lubi, publicitária e uma das sócias da Soma de Ideias, empresa apoiadora da proposta e responsável pela identidade visual de “Às vezes, aos domingos”. A assessoria de imprensa é feita por Marcio Renato dos Santos por meio da Tulipas Negras Editora.

Informações sobre o evento e as próximas atrações no Instagram @somadeideias e no blog tulipasnegraseditora.blogspot.com