quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Mais laiquis entre os melhores livros de 2015

Mais laiquis, o meu quarto livro de contos, foi considerado, pelo site Livre Opinião Ideias em Debate (LOID), um dos destaques de 2015, confira.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Luci Collin e Tulipas Negras


Quando a Luci Collin lançou "Querer falar" (2014), pensei: "ela é, mais que tudo, poeta". Este ano, ao ler "Nossa senhora d'aqui", tive a impressão de, na realidade, ela é, de fato, romancista. E, agora, ao ler o magnífico "A árvore todas", desconfio que ela é, sim, contista. A Luci Collin é uma artista, uma extraordinária artista. Escritora. Poeta. Neste livro recente, aparece "Adoração à virgem", que a Tulipas Negras publicou em 2012. Luci Collin usa humor e ironia pra discutir questões sérias, impasses complexos. E que linguagem!


sábado, 5 de dezembro de 2015

Teletubbies (Que Canta o Discurso Alheio)

Ele entra no prédio onde funciona a fundação de cultura. Segue até o departamento de recursos humanos. Agora, está em frente ao balcão de informações. Sorri e pergunta para uma funcionária:
— Pode me ajudar?
— A respeito do quê?
— Preciso agilizar a minha aposentadoria.
— Qual o seu nome?
O sujeito, conhecido como Teletubbies (Que Canta o Discurso Alheio), diz o seu nome.
— Onde você trabalha?
— Como assim?
— Em qual órgão você trabalha?
— Você só pode estar brincando!
[O Teletubbies (Que Canta o Discurso Alheio) pede um tempo para a funcionária, acessa o Facebook no celular e escreve: Uma barnabé quer saber quem eu sou. Era só o que faltava.]
— Minha senhora...
— Sim.
— Qual o seu nome?
— Suzana.
— Suzana, sem querer ofender, mas em que mundo a senhora vive?
— Como assim?
— A senhora não me conhece?
— Não.
[O Teletubbies (Que Canta o Discurso Alheio) pede mais um tempo para Suzana e digita no Face: A barnabé as-su-me que não me conhece! O post anterior tem 8,9 likes.]
— Eu sou o [...] — o Teletubbies (Que Canta o Discurso Alheio) diz o seu nome.
— Sim.
— Como assim sim?
— Desculpe. Não estou entendendo.
[O Teletubbies (Que Canta o Discurso Alheio) pede mais um tempo e posta outro comentário: Estamos perdidos. Os comentários anteriores já haviam sido compartilhados.]
— Bom, minha senhora.
— Sim.
— Como eu vinha dizendo, vim aqui por que preciso agilizar a minha aposentadoria.
— Onde você trabalha?
— Eu sou artista.
— Artista?
[O Teletubbies (Que Canta o Discurso Alheio) digita no Face: Ela, a barnabé, está espantada por eu ser artista. Paizinho de merda, hein?]
— Suzana, é isso?
— Esse é o meu nome.
— Eu sou artista sim.
— Sim.
— Como sim?
— Você está dizendo que é artista.
— Sim.
— E daí?
— Como e daí?
[O Teletubbies (Que Canta o Discurso Alheio) posta no Face: Vagaba. Va-ga-ba!]
— Minha senhora, eu sou o líder da banda punk da cidade.
— Banda punk?
— Sim. Da banda punk.
— Me desculpe.
— Recebi cachê da fundação por mais de duas décadas.
— Recebeu?
— É por isso que estou aqui.
— Por mais de duas décadas?
— Isso mesmo.
— Não entendi.
— Claro que você não entendeu.
[O Teletubbies (Que Canta o Discurso Alheio) confere as postagens anteriores, todas com likes e comentários. Então, digita: Acho que eu vou perder a cabeça!]
— Desculpe, o senhor quer...
— Eu quero me aposentar.
— Não estou entendendo.
— Eu quero me aposentar.
— Mas o senhor trabalha na fundação?
— Não. Mas é como se eu trabalhasse. Entendeu?
— Se o senhor não trabalha...
— Eu recebi cachê da fundação por mais de duas décadas, está entendendo?
— É que...
— Então, eu tenho o direito de me aposentar.
 [O Teletubbies (Que Canta o Discurso Alheio) faz a seguinte postagem: Acho que vou espancar essa imbecil!]
— Mas o senhor não trabalha na fundação. Ou trabalha?
— Escute aqui, sua barnabé!
— Peço que o senhor me respeite.
— Você é que não está me respeitando!
— Vou ser obrigada a chamar os seguranças.
— Você está me ameaçando? É isso?
[Suzana tira o telefone do gancho e digita quatro números.]
— Pra quem você ligou, sua...
— Responda, energúmena!
[Quatro seguranças entram na sala e Suzana aponta com uma das mãos em direção do Teletubbies (Que Canta o Discurso Alheio).]
— O senhor queira nos acompanhar.
— O que está acontecendo aqui?
— Por gentileza, não grite.
— Vocês não sabem com quem estão falando!
— Por favor, queira nos acompanhar.
— Eu sou o cantor da banda punk da cidade!
— Se não nos acompanhar, vamos te levar arrastado, à força.
— Eu canto letras de poetas, estão entendendo?
[Dois seguranças imobilizam e arrastam o Teletubbies (Que Canta o Discurso Alheio), que segue gritando que é o porta-voz dos poetas da cidade, que é amigo de empresários, publicitários, que conhece o presidente da fundação de cultura, que...].

Conto publicado originalmente nas páginas de Mais laiquis, meu quarto livro, editado pela Tulipas Negras em abril de 2015 em Curitiba.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

No Rascunho, de novo

Estou, de novo, nas páginas do Rascunho. Entrevistei o João Almino e resenhei Enigmas da primavera, romance publicado pela Record. O conteúdo é destaque de capa e segue por 5 páginas da edição 188, de dezembro de 2015.

domingo, 29 de novembro de 2015

Bode careca

A situação na empresa mudou quando anunciei que iria publicar um livro. Anteriormente a rotina era como deve ser nos outros empregos. Dias agradáveis, outros nem tanto, mas tudo seguindo. E isso por anos — tempo suficiente para eu aprender o momento do alô, quando mostrar os dentes e a hora de calar.
Encher linguiça pode ser um lance legal. Não tem a ver com a frase do Otto Bismarck, que teria dito que uma pessoa não deve saber como são feitas as salsichas. O chanceler alemão realmente disse algo assim? Difícil acreditar. Alguém atribuiu esse equívoco conceitual a ele. Só pode. Bismarck era inteligente. E o cenário do meu ganha-pão nunca foi repugnante, com gordura e sangue escorrendo por todos os lados.
Passei por duas ou três seções antes de trabalhar no setor onde eram produzidas as linguiças, ou melhor, as salsichas de cachorro-quente. Tudo automatizado e limpo. Eu quase não colocava a mão na massa, no composto, a não ser, com luvas, quando vistoriávamos as vísceras de bovinos e suínos e os restos de frango, a matéria-prima das salsichas.
O Bode era o supervisor da linha de produção. Cheguei na empresa com pouca experiência comprovada, menos de três anos de registro em carteira. Mas na minha família, desde onde tenho conhecimento, e pelo que se comenta, todos enchem linguiça. Do tataravô até hoje, aprende-se a fazer embutidos em casa. E, por causa desse histórico, a partir do momento em que entrei no setor a produtividade aumentou.
No fim do primeiro mês o salário chegou com bônus. Desde aquele dia, o Bode e eu passamos a almoçar quase diariamente em um mesmo restaurante. “Só não vale pedir salsicha, ok?”. Ele repetia o comentário quando a garçonete se aproximava perguntando sobre o nosso pedido. “O prato do dia, pode ser?”. Essa era a segunda frase que o Bode dizia antes das refeições.
Além de comer e beber, o Bode e eu conversávamos sobre o mais recente filme do Woody Allen ou do Tarantino, as obsessões dos narradores do Enrique Vila-Matas e outras novidades divulgadas nos cadernos de cultura. Não falávamos sobre exportação, juros, política internacional, conjuntura econômica, pecuária ou suinocultura. Naqueles trinta minutos, o intervalo entre os dois turnos, não lembro de ter conversado com o Bode sobre trabalho.
Tenho impressão de que nunca comentei com o Bode que eu escrevia ficção e publicava fragmentos em jornais e revistas. Também não mencionei, durante aqueles almoços, que havia enviado um livro de contos para uma editora.

A produção de salsichas na empresa aumentou, muito, nos quatro primeiros anos. Não preciso dizer, até já havia comentado, mas foi a minha presença, o meu conhecimento, que alterou a produtividade. O Bode sabia disso e se movimentou, com ações e também verbalmente, para que os proprietários e os gestores não soubessem que a atuação de um único funcionário tinha efeito naquele surpreendente ciclo de resultados positivos.
O fato de o Bode ter tomado para si os méritos não me deixou chateado. Os colegas de trabalho passaram a me hostilizar e o Bode me defendeu em várias situações. Passei a ser o alvo de piadas, diretas e indiretas, agressões verbais e sabotagens realizadas pela Anta, pela Mula, pelo Urso, pelo Chacal e pelo Lobo Bobo.
A Anta, a Mula, o Urso, o Chacal e o Lobo Bobo já trabalhavam na empresa antes de eu ser contratado e diziam, diariamente, que eu era o empolgado da vez. Todos eles, isso escutei no banheiro, não lembro quem disse, também teriam trabalhado com entusiasmo e foram responsáveis, individualmente, cada um no seu tempo, pelo aumento da produção de salsichas. Mas apenas no primeiro, no máximo no segundo ano de empresa. Depois, o rendimento de cada um diminuiu, irreversivelmente.
A Anta, a Mula, o Urso, o Chacal, o Lobo Bobo, o Bode e outros funcionários não entendiam o motivo de eu seguir por quatro, cinco anos empolgado. E eu poderia estar rendendo na empresa até hoje. Só não continuei no mesmo ritmo por que uma editora, aquela para onde enviei uns contos, anunciou a publicação daquele que seria o meu primeiro livro.
Esse fato mudou tudo.
Não, não me tornei famoso. Nem como escritor, nem na minha profissão. Continuo enchendo linguiça oito horas por dia, de segunda à sexta, mas, agora, em outra empresa. Este é o meu quinto livro e, quem quiser, pode perguntar por aí: conhece o Jony Rios? Fora os parentes e alguns colegas de trabalho, quem conhece? Nem os vizinhos.
Quando foi anunciada a publicação do meu livro de estreia, algumas pessoas, colegas e parentes, comentaram que eu me tornaria conhecido. Poucos comemoraram e houve, para mim, reações surpreendentes. O Bode, por exemplo, se tornou um inimigo declarado.
Em um primeiro momento, ele me parabenizou, comentando que, enfim, teria um colega famoso. A Anta, a Mula, o Urso, o Chacal e o Lobo Bobo também me cumprimentaram após a divulgação da notícia.

Já no dia seguinte, os colegas começaram a fazer comentários, por exemplo: ele não está enchendo linguiça na literatura? A Anta perguntava durante o expediente sobre a conjugação de verbos irregulares. O Urso queria saber se eu conseguia explicar a diferença entre ditongos orais e nasais. Eu começava a falar, mas como, em geral, não respondia imediatamente às perguntas, os colegas riam, dizendo mais ou menos o seguinte: como alguém pode escrever ficção sem dominar a norma culta do idioma?
Em seguida, o Bode estimulou o conflito entre os funcionários. No caso, entre os colegas e eu. A Anta, a Mula, o Urso, o Chacal e o Lobo Bobo agiam coletivamente contra tudo o que eu fazia. Se eu sugeria uma modificação nos processos, eles reagiam negativamente, quase ao mesmo tempo. O Bode também me sobrecarregou de tarefas, que eu realizava praticamente sem cometer erros. Mas quando algo, mínimo, apresentava problemas, ele parava toda a produção e, na frente de todos, chamava a minha atenção por meio de críticas que, antes da notícia da publicação do meu livro, não eram feitas, mesmo quando eu errava.
O Bode disse para os proprietários que eu estava distraído, preocupado com o lançamento do livro, já não rendia como antes e que, por isso, eu deveria ser demitido. Soube dessa e de outras informações durante uma conversa, reservada, com um dos donos da empresa.
Aconteceram incidentes, a respeito dos quais prefiro não comentar e, quando o Bode foi encontrado morto, fui um dos primeiros a ser chamado para depor.
Naquele período, durante um jantar, dividi a mesa com um conhecido, o Pavão, um terapeuta, amigo do Bode. Depois de algumas taças de vinho, eu disse para o Pavão que, se o Bode continuasse me prejudicando na empresa, eu daria uma surra nele. Ou contrataria alguém para espancá-lo. O Pavão sorriu e afirmou que o Bode, de fato, passou a agir com agressividade, até com os amigos, a partir do momento em que foi anunciada a publicação do meu livro. O Bode, isso quem me contou foi o Pavão, também escrevia contos e sonhava ter um livro publicado.

O Bode raspava o cabelo e algumas pessoas o chamavam de Bode Careca. Cultivou um cavanhaque nos últimos meses de vida. Na última imagem dele, registrada pelo circuito de câmeras da empresa, o Bode estava sem roupas, com o cabelo raspado e de cavanhaque. Ele se jogou dentro do triturador de carnes.
O investigador disse que o meu nome aparece em vários textos encontrados no computador do Bode. Prestei depoimento, apesar de que, no horário da morte do colega, eu estava autografando o meu primeiro livro.

O suicídio do Bode foi divulgado como parada cardíaca.

Na delegacia, tive acesso aos arquivos onde encontrei referências diretas e indiretas ao meu nome. O colega de trabalho condenava as minhas ações, reprovava o jeito de eu mastigar, de rir, entre tantas observações. De maneira geral, ele tinha convicção que eu era um sujeito desprezível, sem refinamento intelectual, um enchedor de linguiça que estava querendo se fazer passar por escritor.
O Bode repetiu uma mesma ideia em quatro ou cinco arquivos: queria telefonar para jornais e revistas denunciando que, literariamente, eu era uma mentira. E ele nem precisou acionar a imprensa: os jornais e as revistas praticamente ignoraram o meu primeiro livro, e também o segundo, o terceiro, o quarto e, provavelmente, este quinto não terá nenhuma visibilidade.
Se o Bode soubesse que eu continuaria ganhando a vida como um anônimo que enche linguiça, quem sabe, ele ainda não poderia estar por aqui, para rir dessa piada, dessa farsa, dessa encenação toda?


Conto publicado originalmente no livro Mais laiquis (2015), livro que publiquei pela Tulipas Negras, republicado dia 29 de novembro de 2015 no mallarmargens.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Mais laiquis, o conto


“A vida é um problema.” Encontrei a frase no Facebook, há alguns minutos. Não sei quem é o autor, mas a afirmação define a minha vida agora: um imenso e aparen­temente insolúvel problema.

Fui convidado pra escrever um conto, e aceitei. Tenho que entregar o texto daqui a sete dias. Será publicado numa edição de domingo no caderno de pensatas do maior jornal do país.

Outro escritor, talvez, fizesse de tudo, ou quase tudo, para receber o mesmo convite, seja pelo reconhecimento, pela repercussão ou por causa do cachê –– são mais de quinhentos dólares. No meu caso, não é falta de inspiração, tempo ou bloqueio.

Sou citado, e respeitado, por professores de letras, jornalistas e escritores. Tenho três livros, sucesso de crítica, incluindo prêmios literários. Quem frequenta livrarias já folheou, comprou e talvez até tenha lido algum dos livros que traz o meu nome na capa.

Mas eu não sou o autor das obras.


Participo de mesas e bate-papos e os autores e as pessoas que frequentam esses eventos me elogiam. Dizem gostar do que eu escrevo e, principalmente, admiram a minha conversa. Mas falar qualquer um, ou quase qualquer um, fala. Leio jornal, revista, até livro eu leio. E por causa disso, da leitura, tenho repertório: basta repetir aquilo que eu li.

Faz dois ou três anos, comecei a desconfiar que alguns escritores não escrevem. Tem um que sempre aparece com roupas coloridas, penteado impecável e sorriso permanente. Como é o nome dele? Duvido que tenha escrito uma linha. E aquele que participa de mais de cinquenta, sessenta, setenta eventos por ano? Também não lembro o nome. Recebeu prêmios, mas não acredito que seja escritor. Até por que vive em festas, mesas e encontros literários. Em que momento do dia, da vida, ele escreve?

E aquele baixista, ou tecladista?, de uma banda de rock? A minha editora contou e pediu sigilo: ele paga para um escritor fazer a revisão, mas o escritor reescreve tudo.

Mas, agora, essas histórias não me interessam. Preciso resolver o meu problema. Tenho que entregar um conto e o Aurélio viajou. Ele é o escritor que escreve tudo o que é publicado com o meu nome. O Aurélio pediu um tempo e avisou que não vai acessar e-mail e estará sem celular. Disse que precisa de descanso. Eu não deveria trabalhar apenas com ele.

Talvez fosse mais sensato ter dois ou três escritores produzindo. Mas, tenho que admitir, o Aurélio é acima da média, tem ideias, energia e consegue realizar o que o cliente precisa –– ele não escreve apenas pra mim. Se a tendência do mercado, e dos prêmios literários, é experimentalismo, prosa poética ou recriação de um episódio histórico, o Aurélio sabe como e o que fazer.

E se eu procurar um livro de um autor estrangeiro, pouco conhecido, e copiar um conto? Seria fácil, talvez ninguém percebesse, mas tenho preguiça de fazer a pesquisa e, depois, digitar.

Não. Vou beber, muito, e dormir. Numa dessas, amanhã encontro alguma solução ou procuro, não um desses redatores que fazem sucesso no meio literário, mas algum escritor, um prosador de verdade, sem reconhecimento. Tem muito pé-rapado talentoso por aí. Basta oferecer uma graninha. É isso. Vou comprar um conto.

Afinal, mais do que o conto, o que me interessa é compartilhar no Face o link do texto publicado no jornal. É que preciso de laiquis, de muitos, muitos laiquis pra sorrir e me sentir feliz, muito feliz.



“Mais laiquis” faz parte de Mais laiquis”, o meu quarto livro de contos, publicado este ano, 2015, pela Tulipas Negras Editora.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Sumário de Mais laiquis

Os 13 contos de Mais laiquis, meu quarto livro de contos, publicado este ano, 2015, pela Tulipas Negras.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Aguinaldo Severino resenha Minda-au

São sete contos curtos, compactos, que se deixam ler com alegria. "Minda-au", publicado originalmente em 2010, foi o livro de estréia de Márcio Renato dos Santos. Ele é o homem curioso que anda por sua Curitiba ancestral catalogando as gentes, os hábitos, os comportamentos (dele já li os bons "Mais laiquis", lançado este ano; "2,99" e "Dicionário amoroso de Curitiba", ambos de 2014. Em "Sub" acompanhamos o impacto da chuva na vida de um sujeito que vive nas ruas, num contraste  lírico entre riqueza e pobreza; em "A guitarra de Jerez" o tom já flerta com o fantástico, quando seguimos os azares que uma guitarra enfeitiçada trás a seus proprietários; em "O espírito da floresta" a ironia subjuga o fantástico, quando trilhamos a rotina de uma mulher assombrada por uma lenda urbana; "De teletransporte número 2" pode ser tanto o sonho amalucado de um rapaz quanto o delírio de alguém que foi alvejado em um assalto e delira; "Os homens sem alma" já é mais cruel, pois o narrador faz o censo das mediocridades encarnadas em um sujeito; "Pra quem busca uma vida nova" rimos da solidão de um rapaz curitibano que tenta viver em Porto Alegre para descobrir simultaneamente a inaptidão dele para o exílio voluntário e o provincianismo da cidade que ele antes idealizava; "Ali, agora" é uma espécie de réquiem que um jovem escritor produz para seu mentor, seu antigo mestre, que agoniza (ou já está morto). São histórias singelas, onde sempre se capta um sentimento genuíno, uma virtude, um aspecto do cotidiano contemporâneo, ou ainda algo abstrato, aquilo que podemos associar aos compromissos que os homens fazem para sobreviver com alguma dignidade frente os aborrecimentos desta vida.
[início: 09/10/2015 - 13/10/2015]
"Minda-au", Marcio Renato dos Santos, Rio de Janeiro:editora Record, 1a. edição (2010), brochura 13,5x20.5 cm., 80 págs., ISBN: 978-85-01-09016-4

Resenha publicada, dia 13 de novembro de 2015, no blog Livros que eu li.

Com Celio Jamaica

Com Celio Jamaica, poeta e prosador, voz presente na matéria de capa da edição 52 do jornal Cândido.

domingo, 8 de novembro de 2015

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Entrevista na Universidade Positivo

No estúdio de rádio da Universidade Positivo: bate-papo com Jorge Níkolas Camargo para o programa "Entrevista na Teia". Conversa sobre literatura e "Mais laiquis". Foto: Lucas de Lavor.

sábado, 17 de outubro de 2015

Com Vitor e Schroeder na Arte & Letra

Com Vitor e Carlos Henrique Schroeder no lançamento de História da chuva em Curitiba, hoje, 17 de outubro de 2015, na Arte & Letra.

Com o Schroeder na Arte & Letra 2

Com Carlos Henrique Schroeder no lançamento de História da chuva hoje, na Arte & Letra, em Curitiba.

Com Schroeder na Arte & Letra 1

No lançamento de História da chuva, do Carlos Henrique Schroeder, hoje, 17 de outubro de 2015, na Arte & Letra, em Curitiba.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Schroeder na Arte & Letra

Neste sábado, 17 de outubro, o Carlos Henrique Schroeder autografa História da chuva aqui em Curitiba, a partir das 10 horas, na Arte & Letra.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

2,99 com desconto

2,99, o meu terceiro livro de contos, está com desconto no stand da Arte & Letra na 34.ª Semana Literária Sesc & Feira de Livro, na Praça Santos Andrade.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Sérgio Tavares resenha Mais laiquis

Sérgio Tavares leu e escreveu uma resenha sobre Mais laiquis, o meu quarto livro de contos. O texto foi publicado no Homo Literatus e pode ser lido aqui.