segunda-feira, 30 de abril de 2018

Mágica no absurdo

Gerson coloca a pílula na boca e engole a seco. Bebe café e, alguns minutos depois, tem a impressão de estar preparado para a reunião. A equipe da agência de propaganda vai apresentar a proposta de uma campanha sobre empoderamento feminino. A empresa de Gerson, ligada a frigoríficos e logística, não tem — em sua opinião — necessidade de investir na causa. Mas um distribuidor e outro acionista pediram apoio, e esses parceiros são fundamentais para o negócio.

Helô já apresenta a proposta quando Gerson, até então distraído, olha a publicitária e se dá conta de que todos os convidados para o encontro estão sala. “Eu tive que me empoderar para assumir o meu lugar no mundo”. De acordo com Helô, a frase deve ser dita por uma diretora de empresa e repetida por uma cantora, uma profissional de mídias sociais, uma terapeuta, uma enfermeira e uma advogada.

Gerson tem vontade de falar que a ideia é fraca. Ele acredita que empoderamento é consequência, principalmente, de estudo, repertório, cultura enfim. Mas, sua intuição sugere, não pega bem dizer o que está pensando. Além do quê, se criticasse a proposta da Helô, teria que apresentar outra sugestão. E, no momento, não tem uma alternativa para a campanha.

A publicitária explica em que canais de televisão o vídeo poderá ser exibido, possivelmente até em redes sociais. Gerson contratou a agência em que Helô trabalha não exatamente pelo fato de ela ser uma publicitária competente e premiada. Helô gesticula ao falar, sabe interromper o discurso para, em seguida, apresentar um exemplo comentado por ela mesma com piadas pertinentes, pausas e um gestual que tende a convencer o interlocutor. A publicitária sabe utilizar argumentos.

Mas, na realidade, o que Gerson admira nela é a beleza física.

— Linda.

— O que você falou?

— Linda.

— O quê?

— A campanha.

— Linda?

— Sim, Helô. Se puder, por favor, continue.

Helô explica qual linguagem pode ser usada no vídeo — na opinião dela, uma edição dialogando com o cinema de Woody Allen seria ideal. A publicitária diz que, além de outras profissionais, ela mesma poderia repetir aquela frase: “Eu tive que me empoderar para assumir o meu lugar no mundo”. Há silêncio, de alguns segundos, ninguém reage à proposta e Helô afirma que a campanha prevê desdobramentos, se possível, em material impresso.

Gerson observa o movimento dos lábios de Helô. Gostaria de beijar a publicitária. Não apenas a boca. O empresário tem uma ereção. Precisa de uma desculpa para dizer se for necessário levantar da cadeira.

Ele gostaria de se declarar para Helô. Mas, a intuição sugere outra vez, pode ser algo precipitado ou, mais precisamente, uma intervenção inapropriada, fora de tom e contexto. O silêncio pode ser, pelo menos momentaneamente, a solução, como ter silenciado já se revelou, para Gerson, sabedoria em reuniões nas quais estavam em debate temas como maioridade penal, casamento entre pessoas do mesmo sexo, eleição nos Estados Unidos, impeachment no Brasil, linchamento de criminosos, pena de morte, visitar Dubai e a qualidade dos produtos chineses.


Gerson não sabe se deseja Helô ou se o pau está duro por causa da necessidade de expelir urina do corpo. Há alguns minutos deixou de prestar atenção no discurso. Agora, ele percebe, Helô fala sobre o custo da campanha, prazos e questões técnicas, contato com uma produtora e seleção de elenco.

O empresário deixa uma das mãos em cima da coxa direita e, rapidamente, toca em seu próprio pau, duríssimo. Talvez a braguilha estoure. Durante os últimos trinta minutos, ingeriu seis ou sete pílulas. Já não sabe se usou, ou não, o Viagra que trouxe no bolso da camisa. Enfia a mão esquerda no bolso e tira o comprimido. O Viagra está lá. Coloca a pílula em um dos bolsos da calça. A necessidade de mijar é fato, mas aconteceu depois de ficar com o pau duro, não tem mais dúvida, excitado e com vontade de transar, imediatamente, com Helô.

Uma alternativa é esperar a publicitária dar uma pausa, pedir licença, levantar e ir ao banheiro. Mas Gerson teme que a movimentação se revele um desastre. A sua ausência iria interromper a reunião e a Helô poderia se incomodar.

O empresário está atento, ela fala com entusiasmo que não basta ser mulher. Sem feminismo, afirma Helô, não há política para mulheres. As leis, o discurso veiculado na televisão, as piadas repetidas em escritórios, as instituições, ela continua falando, são sexistas e machistas. A sociedade obedece a uma estrutura patriarcal e, a publicitária enfatiza, é necessário alterar isso.

Gerson já não sabe o que vai dizer para Helô, se é que vai falar com ela. Teme chegar e ser rechaçado. Vai que a mulher não gosta da atitude e reage dizendo que o empresário é um assediador? E se ela gravar o encontro e publicar o vídeo e o áudio nas redes sociais? Numa dessas, Helô posta uma mensagem no Facebook anunciando que o sujeito que a contratou para fazer uma campanha sobre empoderamento feminino não passa de um machista.

O tesão que sente por Helô quase substituiu outro desejo de Gerson. Quando recebeu a solicitação para fazer a campanha, o empresário analisou alguns fatores e investimentos, e só se convenceu, de fato, a apoiar o projeto levando em consideração uma possibilidade. Cogitou contratar uma das atrizes por quem sente atração. Não era nenhuma em especial, poderia ser uma parecida com a Jean Seberg, aquela que lembra a Jeanne Moreau ou talvez uma terceira, a atriz que — para ele — é quase um clone da Ingrid Bergman.

A ideia ainda não foi descartada. Gerson pretende apresentar a sugestão para Helô, se possível, na próxima pausa que ela fizer. Mas a publicitária segue falando e, neste instante, ressalta que atualmente ainda há mulheres dispostas a sacrificar projetos profissionais para colocar a família como prioridade. Não podemos mais, diz elevando o tom de voz, carregar a culpa de dividir nosso tempo entre o pessoal e o profissional. As outras mulheres presentes na sala aplaudem Helô, que, enfim, para de falar: ela está chorando.

Gerson já não tem mais controle e a urina escorre pelas suas pernas enquanto Helô chora. Rebeca, uma assistente, oferece um copo de água para a publicitária. O empresário caminha em direção ao banheiro, passa a mão na maçaneta, a porta está fechada, ele insiste, uma voz avisa que tem gente e Gerson sente mais urina escorrer pelas pernas. O celular dele começa a tocar, não um som convencional, mas uma canção de Lamartine Babo: “A... E... I... O... U... Dabliú, dabliú/ Na cartilha da Juju, Juju”.

Otto, secretário de Gerson, olha o empresário e pergunta se está tudo bem. Quatro ou cinco pessoas que vieram com Helô, incluindo um produtor chamado Bob, começam a rir. Otto também ri. O celular de Gerson continua tocando: “A Juju já sabe ler, a Juju sabe escrever/ Há dez anos na cartilha”. Jacques, um parceiro comercial de Gerson, também é contagiado pela gargalhada coletiva.

O empresário olha para as pernas e a calça, branca, está molhada com urina e não esconde a ereção. Gerson teme que até fora da sala estejam rindo dele, enquanto a canção do Lamartine Babo soa por meio do alto-falante do seu celular: “Sabe conta de somar, sabe até multiplicar/ Mas na divisão se enrasca/ Outro dia fez um feio/ Pois partindo um queijo ao meio/ Quis me dar somente a casca!”.

Gerson coloca a mão num dos bolsos da calça, pega uma pílula e a engole sem água. As pessoas que estão na sala olham para ele, a maioria está rindo e Helô ainda não parou de chorar. Por menos de um minuto, o celular do empresário fica em silêncio, mas quem deseja falar com ele insiste e o aparelho toca novamente a canção do Lalá: “Sabe história natural, sabe história universal/Mas não sabe geografia/ Pois com um cabo se atracando/ Na bacia navegando, foi pra Ásia e teve azia”.

As pessoas que estão na sala deixam de gargalhar. O celular de Gerson fica em silêncio e o som que se impõe é o choro de Helô. Em menos de um minuto, não ao mesmo tempo, mas em sequência, como se houvesse um roteiro a ser seguido, todos choram — até o empresário, ainda com ereção, chora.

E, por um tempo que ninguém contou, todos eles choraram, soluçando e abraçados.


Conto publicado em meu sétimo livro de contos, A certeza das coisas impossíveis (Tulipas Negras, 2018).

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Com Sergio Caddah e Jiro Takahashi

Com Sergio Caddah e Jiro Takahashi na Editora Global, em São Paulo, no final da manhã de 27 de abril de 2018.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

O inverno é logo ali

Nina confere a placa, pergunta ao motorista se a viagem é para ela, Nina, e entra no Citroen C3. Ou o Uber parou e o motorista, Pablo, perguntou se ela era a Nina? Agora, o carro segue pela Clóvis Beviláqua, a rua onde ela mora, no Cabral. Pablo quer saber se Nina tem preferência por algum trajeto, ela diz que não sabe, ele oferece bala, Nina recusa, enquanto, no rádio, Ná Ozzetti canta “Atlântida”, da Rita Lee.

A paisagem se transforma, o Cabral se torna Alto da XV e daqui a pouco já é Centro. Nina sente o vento do fim da manhã no rosto e, por alguns minutos, esquece que seu quinto pododáctilo direito dói. A arquiteta bateu o dedo mínimo do pé em uma cadeira, em um canto da cama e em uma porta — em sequência, no mesmo dia. Inchou, deve ter fraturado, mas ela não foi ao hospital. Uma semana depois, bateu novamente o mesmo dedo, a dor se intensificou e ela, outra vez, não procurou serviço médico.
            
Passaram alguns anos e quando está quente o menor dedo do pé direito da arquiteta não dói. Mas desde a primeira fratura, o dedo — hoje talvez ainda fraturado — é capaz de anunciar a chegada de uma frente fria e do inverno. A sinalização se faz por meio de dor e, agora, Nina sente o desconforto, apesar do vento que entra pela janela do carro e toca seu rosto — ela percebe que está em uma rua do São Francisco e, no rádio, o Fábio Elias canta “Nunca mais”.
           
Em 2015, Nina sentiu o início do inverno ao observar um fim da tarde pela janela de sua sala. Uma chuva forte marcou a mudança de estação em 2016. Ano passado, ela caminhava por uma rua do centro, o sinal para pedestres estava fechado e, ao esperar, durante segundos, um vento gelado atingiu Nina, seu dedo e ela percebeu que o frio estava para chegar. Este ano, já vieram as águas de janeiro, fevereiro e março, o inverno ainda está oficialmente distante e, enfim, hoje o dedo do pé direito da arquiteta dói, da mesma maneira e intensidade que doeu na véspera do frio nos anos anteriores.
        
O Uber para devido ao sinal vermelho. Pablo pergunta se Nina deseja que ele feche os vidros e ligue o ar-condicionado, mas ela diz que não é necessário. Em uma parede, está grafitado: “primeiro frio do ano/ fui feliz/ se não me engano”. Nina sorri com o haicai do Paulo Leminski. Em uma estação de rádio, toca uma versão que Luiz Melodia fez para “Leros, leros e boleros”, do Sérgio Sampaio: “Leros e leros/ Traga branco o seu sorriso/ Em que rua/ Em que cidade/ Eu fui mais feliz?”. O carro segue e, daqui a pouco, ela vai chegar a seu destino — o inverno é logo ali. 


Texto que escrevi a pedido da Revista VOi, publicado na edição 151, abril de 2018.

terça-feira, 24 de abril de 2018

Compre A certeza das coisas impossíveis

A certeza das coisas impossíveis (Tulipas Negras, 2018), meu sétimo livro de contos, custa R$ 25 na Livrarias Curitiba, no site e nas lojas, entre as quais a da Rua das Flores. Compre.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

De volta ao Malecón



 Após dezessete anos, retorno ao Malecón. Meus cabelos se movem, pelos do meu corpo estão arrepiados. Poderia dizer que um imenso ventilador funciona permanentemente, mas sei que é a brisa do Malecón, única, ininterrupta, inesquecível. Tanto tempo longe e nunca deixei de pensar neste balneário. Por despeito, tontería, duas, três, quatro, cinco, nem sei mais quantas paixões e alguns sustos, passei dezessete verões em outros endereços: San Blás, Puerto de Gallinas, Bombas, Maresias, tantos mares, pousadas e estrelas. De agora em diante nada, ou melhor, até tem o que me leve para outra beira de mar, mas vou me entregar toda, por inteira e com exclusividade aos mistérios da água salgada, da areia, das canções, do vento e do que pode acontecer, e acontece, neste remoto ajuntamento de guarás, pájaros rojos, minha, nossa, única, Guaratuba.
Guaratuba, ai! Aproveitei a juventude, mas perdi a tramontana. Não me arrependo de nada, até porque não há espaço nem tempo para me arrepender. Fiz e quero fazer mais. Pretendo transar todas as ondas dessa praia, dessa vida, quanta sede eu sinto. Também sou sedenta por imagens. Demorei mas vi Aquarius e a Sônia Braga continua um furacão — desde sempre, desde a primeira vez que enxerguei aquela mulher, aqueles olhos negros. Faz tempo, parece que foi semana passada, mas já passaram dias, anos, Dona Flor e seus dois maridos, A dama do lotação, Gabriela, cravo e canela, O beijo da mulher-aranha, Tieta do agreste, quantos filmes. Sônia Braga é beleza, dignidade, força e coragem. As personagens que interpreta acho que são como ela é, corajosa, forte, digna, linda, belíssima. Sônia Braga conhece Guaratuba? Se não, algum bofe poderia convidar a deusa pra dar um rolê por aqui.
É tão bom dar um rolê no Malecón. Já dei tanto aqui, rolei e me enrolei com tanto bofe, bofe civil, militar, pescador, motorista, bofe cozinheiro, garçom, médico, dentista, bofe vagau, da universidade, da maçonaria, da umbanda e até com bofinho cultural me envolvi, mas esses, os bofinhos culturais, é indiscrição mas vou dizer: não dão no couro. Gosto dos brutos, dos fortes, não dos fofos nem dos molinhos não.
Caminho no Malecón e, sei lá, pode ser um cheiro ou a temperatura, está quente, quase quarenta graus, suo e enfim, tudo isso ou nada, quem sabe não é externo mas algo interno, alguma coisa acende e faz lembrar um bofe que me fez muito feliz. Era um danado que gostava de uma canção do Fito Paez e a cantava pra mim: “Te vi/ Juntabas margaritas Del mantel/ Ya sé que te traté bastante mal/ No sé si eras un ángel o un rubí/ O simplemente te vi”.
 Ai, Nonô, Nonis, Noninho querido. Doeu, foi bom, não durou. Faz tempo e não deixo de lembrar nossos dias, noites, madrugadas acesas aqui em Guaratuba. O mel do Nonô me envenenou, eu estava enfeitiçada, fazia tudo o que ele pedia. Nunca uma temporada de chuva rendeu como aqueles trinta dias de junho e outros de julho.
Não posso mais escutar nenhuma do Fito Paez que meu pensamento é dominado pela imagem do Nonô. Outro dia, relaxava em frente à tevê quando passou um comercial da Avianca. A trilha era uma canção do Fito, “Dar es dar”. Tão lindo aquilo, chorei. Modelos infantis simulando trabalhar na companhia aérea. Mas o que me desestruturou foi a melodia e, em especial, a letra da canção: “Cuando el mundo te pregunta/ del por qué, por qué, por qué, por qué,/ por qué das vueltas la rueda/ por qué no te detenés,/ yo te digo que dar es dar”.
Dar é tão bom, me dei tanto ao Nonô e a outros bofes e, por falar nisso, os bofes estão cada vez melhores. Será que é a água? Não sei o que é, mas acredito em aperfeiçoamento dos bofes. Tenho experiência, sei o que estou falando. Eles estão maravilhosos. Cada nova geração supera a anterior, em tudo. Delícia. Ah, o verão promete. Chega verão! Que venga el toro! Pero que venga em forma del bofe!
Queria ter um pouco de paz, um dia que fosse, e paz seria não desejar, nada de desejo, nada de bofe, nem em pensamento. Mas alguma coisa aqui dentro me faz desejar. Será que é veneno? Fui envenenada ao nascer? Ou isso é o inferno? Um anjo torto pode ter dito ao me ver pequenina: vai, Mara!, ser escrava do desejo por toda a vida. Não sei se um anjo disse isso, sei que o desejo vive em mim. Ou é apenas praga de madrinha, mau olhado da vizinhança ou mala suerte? Desgracia!
Cada um carrega uma cruz. Às vezes tenho a sensação de carregar mais de uma. Mas não me queixo. Até que é bom. Um bofe do Recife me definiu como a mulher com olhos de sinal aberto. Não sei se entendi, mas que é bonito, é: mulher com olhos de sinal aberto.
 Seguir o impulso e fluir aberta para as coisas da vida. Assim construí minha trajetória. Às vezes tenho a sensação de que sigo, todos seguimos, um enredo escrito previamente. Olho para a palma da minha mão, tantos riscos, um traçado curioso, dá a impressão de que tudo o que fiz, faço e farei está ali. Suerte y mala suerte. Acho que tudo já foi traçado porque às vezes ao comer, beber ou durante algum momento, sei que iria estar aqui, ali, independentemente de minha vontade. No puedo explicar, sólo se. Quando Deus quer até o diabo ajuda. Sou personagem de uma cena e, sem ensaio, conheço as falas. Maktub! Acerto o desfecho de quase todos os enredos, até quando dá ruim eu acerto, né não?
Hoje eu sabia que algo ruim iria acontecer, se bem que todo dia acontece alguma coisa que pode prejudicar alguém. Mas ao acordar tive a impressão, num abrir e fechar de olhos, como se recebesse uma mensagem sabe-se lá de onde, de que algum fato me faria mal, só não fui informada o que seria. E acho que essa adversidade chegou. Mierda! Minha cabeça está doendo. Me cago em la leche! Foi só seguir distraída pelo Malecón que os raios do sol já queimaram, sem eu perceber, meu couro cabeludo. No jodas! Até olhei para o meu chapéu, ele estava no cabide, praticamente me olhando, mas nem dei bola, saí solta, sem proteção. Que putada! Isso vai trazer desconforto pra dormir.
Mas, sabe, sempre que acontece uma contrariedade é sinal de que, em seguida, vai pintar um novo bofe. Sempre foi assim, nunca falhou, seja quando dei topada com o minguinho, ao quebrar uma unha, se um avião decolou sem me levar ou um ônibus partiu e me deixou no ponto. Estou com o couro cabeludo queimado e, tenho fé, um bofe vai surgir. Só não sei quando, onde nem como. Preciso me distrair, esquecer até a dor que me incomoda. Relaxada, tudo pode mudar. Azar de dia, sorte no amor à noite.
 Ainda faltam algumas horas pra anoitecer, talvez eu devesse descansar meu corpo. Mas estou sem sono, dificilmente vou dormir e o meu couro cabeludo está doendo. Vejo o Morro do Cristo e hesito. Faz décadas que pisei pela primeira vez aqui e nunca estive no Cristo. Já disseram que a vista é linda lá em cima, talvez eu devesse enfrentar as escadas, mas estou bem aqui no Malecón. Malecón é tudo, daqui não saio, daqui ninguém me tira, ou melhor, só um bofe pra me tirar daqui e estou sentindo que a noite vai trazer um novo bofe. La noche venga y traga un bofe. Ole!


Conto de minha autoria publicado no livro A certeza das coisas impossíveis (Tulipas Negras, 2018). 

quinta-feira, 12 de abril de 2018

APL: repercutiu no Bessa

O jornalista Reinaldo Bessa destaca em sua coluna, publicada no jornal Gazeta do Povo, minha eleição para a Academia Paranaense de Letras. Confira por aqui.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Percepção microscópica do real

Revista Ideias publica, na edição de abril 2018, texto de Luísa Cristina dos Santos Fontes sobre A certeza das coisas impossíveis, meu sétimo livro de contos. Também foi publicado um texto de Diego Vera sobre meu percurso literário. Leia por aqui.