quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Sermão da Montanha em Jacarezinho por Sigaud

Ao recriar o "Sermão da Montanha" dentro da Catedral de Jacarezinho, Eugênio Sigaud apresenta Jesus Cristo pregando, mas os olhares estão direcionados para um personagem, à esquerda, parecido com Karl Marx - o que evidenciaria a opção do artista pelo comunismo. Estive na cidade, entrevistei 20 pessoas e o resultado está na página 30 da Revista Helena N.º 4, eis o link: http://tinyurl.com/panlj2g. A foto é do Cleiton Corrêa.

Aprisco central da Catedral de Jacarezinho

Eugênio Sigaud incluiu pessoas de Jacarezinho na pintura do aprisco central da Catedral. Estive na cidade em outubro e fiz uma reportagem que está nas páginas da revista "Helena", número 4. Foto de Cleiton Corrêa.

Cartas de tarô

O pesquisador Jucelino Biagini interpreta que as profecias que anunciam Jesus, no alto das paredes internas da Catedral de Jacarezinho, foram inspiradas nas cartas do tarô. Estive na cidade do norte do Paraná e fiz uma reportagem sobre a passagem de Eugênio Sigaud por Jacarezinho, e o resultado está nas páginas da revista "Helena", número 4. Foto de Cleiton Corrêa.

No interior da Catedral de Jacarezinho

No interior da Catedral Diocesana de Jacarezinho, onde, na década de 1950, Eugênio Sigaud realizou intervenções que ainda hoje causam. Estive na cidade e fiz uma matéria que está nas páginas da revista "Helena", número 4. Foto do Cleiton Corrêa.

Em Jacarezinho

A maior edificação de Jacarezinho é a Catedral Diocesana, construída na metade do século 20 com recursos da cultura do café. Eugênio Sigaud pintou o interior da igreja, o que gerou e ainda provoca polêmica. Estive na cidade em outubro para fazer uma reportagem que está nas páginas da revista "Helena", número 4. A foto é do Cleiton Corrêa.

O olhar do padre Rodolfo Pinho

O padre Rodolfo Pinho, na foto de Cleiton Corrêa, afirma que as pinturas de Eugênio Sigaud, no interior da Catedral de Jacarezinho, prejudicam as missas: "Há muitas tonalidades escuras, que não proporcionam tranquilidade." Estive em Jacarezinho, durante uma semana no mês de outubro e fiz a reportagem "Inusitada moldura", que está nas páginas da revista "Helena", número 4.

Moacir Gonçalves Madureira

Moacir Gonçalves Madureira tem 83 anos e viu Eugênio Sigaud pintar o interior da Catedral de Jacarezinho na década de 1950. Passei uma semana na cidade do Norte do Paraná e entrevistei, além de Madureira, outras 19 pessoas. O resultado está na revista "Helena", número 4, na matéria "Inusitada moldura". A foto é do Cleiton Corrêa.

Painel em branco: Sigaud em Jacarezinho

Na década de 1950, Eugênio Sigaud, ateu e comunista, foi convidado pelo irmão, o bispo ultraconservador D. Geraldo Sigaud, para pintar o interior da Catedral de Jacarezinho. O trabalho foi realizado, mas eles brigaram e Eugênio deixou um painel em branco, como mostra a foto de Cleiton Corrêa. A história toda eu conto na matéria "Inusitada moldura", conteúdo da revista "Helena", número 4.

Américo Felício de Assis

No mês de outubro, passei uma semana em Jacarezinho, na região Norte do Paraná, para fazer uma reportagem sobre a passagem de Eugênio Sigaud (1899-1979) pela cidade. Entrevistei mais de 20 pessoas, entre as quais, Américo Felício de Assis, de 76 anos - fotografado por Cleiton Corrêa. Américo era coroinha quando Sigaud realizou as pinturas no interior da Catedral da cidade. A história toda está na matéria "Inusitada moldura", publicada na revista "Helena", número 4.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Na entrega do Prêmio Paraná de Literatura 2013

Ao lado do Guilherme Magalhães e do Cristovão Tezza, na manhã de 12 de dezembro de 2013, durante a cerimônia de entrega do Prêmio Paraná de Literatura 2013. Foto da Lina Faria.

Com Solda e Vera

Com Solda e Vera no lançamento do "Livro dos Novos", dia 12 de dezembro, na Livraria da Vila, em Curitiba. Foto do Daniel Snege.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Viva os novos!

Viva os novos! Com Felipe Kryminice no lançamento do "Livro dos novos", antologia publicada pela Travessa dos Editores, na noite de 12 de dezembro de 2013, na Livraria da Vila, em Curitiba. Foto do Daniel Snege.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Com Batista de Pilar

Com Batista de Pilar na Biblioteca Pública do Paraná (BPP), na manhã do dia 5 de dezembro de 2013.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Anúncio no RelevO/dezembro de 2013


Coletânea da jovem literatura paranaense



Livro dos novos, que reúne 16 contos de jovens autores radicados no Estado, será lançado dia 12 de dezembro, às 19h, na Livraria da Vila do Pátio Batel


Com a proposta de espiar o futuro, a Travessa dos Editores lança neste mês de dezembro o Livro dos novos, coletânea de contos que reúne 16 jovens autores radicados no Paraná. “As reflexões de uma geração que se apresenta para conduzir o mundo a partir dessas horas que vivemos constituem o carro-chefe da coletânea”, explica a organizadora e também escritora, Adriana Sydor. “É uma maneira de quase adivinharmos os novos rumos”, afirma.

A seleção abarca escritores entre 20 e 30 anos, que enviaram seus textos para a editora durante o último ano. Mais da metade é formada ou trabalha na área de comunicação, como jornalismo e publicidade. “Não foi tarefa fácil, pois há mais escritores prontos, maduros, preparados para entrar no mercado do que esperávamos inicialmente. Os escolhidos, na verdade, representam um número muito maior de jovens que têm preocupação e possibilidades com a escrita e a comunicação”, conta Adriana.

Para a organizadora, todas as ficções reunidas no livro levam à reflexão, em algum ponto, sobre as misérias humanas, as derrocadas morais e as dificuldades cotidianas. Elementos observados, por exemplo, em Hominho, conto de Yuri Al’Hanati, 27 anos, que explora uma brutal cadeia de acontecimentos ocorridos numa fazenda e iniciadas com o assassinato de um cavalo, numa prosa que encontra seu ritmo na fala do homem do campo, seca e precisa.

A relação de dominação, admiração e medo entre homem e natureza é, segundo o autor, um dos principais aspectos do texto. “O homem do campo, ao menos o descrito no conto, se sente ligado mais ao campo do que às pessoas, razão pela qual um cavalo ou outro animal de apreço constitui uma de suas poucas alegrias. Seu parente, deficiente mental, sobrevive graças às regras de civilidade e preservação da espécie desenvolvidas em sociedade, algo inexistente no reino animal”, explica o autor. “O homem, por mais que queira se sentir primitivo, bruto e natural, não abandona a herança social que o tempo lhe imputou”, completa.

Conectados com o presente

Em graus diversos, todos os autores da antologia estão sintonizados com o momento presente”, escreve Luiz Bras no prefácio do Livro dos novos. O autor de Sozinho no deserto extremo e Paraíso líquido, entre outros, declara que este foi o prefácio mais transgressor e provocativo que já escreveu. “De certo modo, ele é um antiprefácio. Na tentativa de salvar algumas almas jovens do inferno da boçalidade, preferi oferecer um prefácio-manifesto, em vez de um prefácio chapa-branca, pasteurizado”, afirma Bras, que invoca em seu texto o futuro pós-humano que se aproxima de maneira inexorável, com a revolução das novas tecnologias.

Quando essa revolução estiver alcançando o ponto máximo, no final deste século, tudo indica que a literatura já terá sido encostada, feito um gadget sem bateria”, profetiza o escritor, que clama por uma literatura de guerrilha a fim de manter viva a chama da ficção no formato livro. “Vocês são os novos guerrilheiros da irrealidade cotidiana, as narrativas aqui reunidas atestam isso. Já sabem denunciar, com raiva ou afeto, os males individuais e sociais, os muitos níveis da estupidez humana”, aponta.

A questão de gênero inspirou o pernambucano Arthur Tertuliano, de 26 anos, que reside em Curitiba há oito anos. Na sensível narrativa intitulada Guarda-roupas, ele aborda o relacionamento de uma filha (ou seria filho?) com seu pai viúvo. “Quando resolvi escrevê-lo, quis enfiar nele um monte de tipos de histórias que me interessam: as de amor, as infantis, as de ficção especulativa, as sobre relações familiares. A questão de gênero veio de uma inspiração muito clara: o Laerte [Coutinho, quadrinista]. Não à toa foi a ele que dediquei o conto”, explica Tertuliano, interessado na não-limitação do olhar do escritor como catalisador de sua ficção.

Ao narrar a trajetória de um cantor de bar, Marco Antonio Santos, de 24 anos, discute no conto Era aspectos como a memória e o fracasso. “Acho engraçado o apego do personagem ao passado. Sempre pensei no fenômeno dos bares de videoquê em Curitiba, especialmente nos anos 2000, e nas pessoas que faziam sucesso naquele contexto, e sobre como elas seriam em outros ambientes”, diz Santos. O sucesso na carreira de cantor de fim de semana do protagonista contrasta, por sua vez, com a desagregação de sua família e a infelicidade profissional dos dias de semana. “Me interessava essa alienação, o deslocamento do sujeito em relação à vida cotidiana”, expõe o jovem autor, que participa pela primeira vez de uma coletânea. “Talvez novas vozes tragam novas perspectivas, outras leituras, outras visões e ideias”, comenta ele.

Reflexão em primeiro lugar

A publicação de Livro dos novos reforça a preocupação da Travessa dos Editores com a boa literatura produzida em nosso Estado. Criada em 1994, a editora é conhecida pelo cuidado com o projeto gráfico, aliado ao catálogo que preza a reflexão crítica. A edição comentada e ilustrada do clássico Catatau, de Paulo Leminski, lançada em 2004 e hoje esgotada, é apenas um dos exemplares da linha editorial da casa, que já publicou importantes nomes da nossa ficção, como Jamil Snege, Wilson Bueno e Marcio Renato dos Santos.

Mais que a preocupação com o mercado, mais que o objetivo de vendas, mais que ocupar lugar de destaque nas livrarias, a editora pensa em devolver ao mundo o que faz parte dele de maneira livre e plena”, afirma Adriana Sydor. “Reconhecer a importância de quem começa agora a desenhar a literatura do Estado, do País e do mundo faz parte desse conceito”, declara a organizadora da coletânea.



Serviço:
Lançamento – Livro dos Novos
Data: 12 de dezembro
Horário: 19h
Local: Livraria da Vila – Pátio Batel (Avenida do Batel, n° 1868)
Mais informações: (41) 3079-9997

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Clube dos Papagaios

Quando Milton P. pediu para eu tirar a piscina do projeto de sua casa, tentei argumentar que a temperatura média da região exigia aquele item que não era preciosismo nem exagero, mas necessidade. O professor escutou a minha fala e disse que o custo de uma piscina incluía comida e bebida para vizinhos, convidados, amigos e outros excessos.
Fiz o projeto arquitetônico da casa do professor Milton P., que ficou pronta seis ou sete meses depois que a esposa dele, Isadora P., morreu. O meu cliente pensou em vender o imóvel, mas as filhas o convenceram a morar lá, onde, anos mais tarde, elas também iriam viver.
Os trinta graus diários daquela cidade poderiam justificar a minha saída, mas surgiram oportunidades. Mestrado com bolsa e clientes em outra cidade, onde os termômetros registravam, e registram, quatro, cinco graus em média.
O engenheiro civil Celso Z. me convidou para, juntos, criarmos uma empresa e, com a dissertação defendida em uma das mais renomadas faculdades de arquitetura do país, eu disse sim. As relações do meu sócio, maçom, abriram frentes de trabalho e, em uma década, nos tornamos milionários.
Há alguns meses, entramos em uma licitação e foi necessário recuperar documentos e reconhecer firma de assinaturas. Viajei até aquela cidade onde comecei a minha trajetória de arquiteto. Choveu, árvores caíram bloqueando a estrada e permaneci uma semana hospedado no hotel CG.
Fui comprar sal de fruta e, em frente a uma lotérica, uma voz pronuncia:
– André M.?
Era o professor Milton P.
Sorri. Ele também. Seguimos até uma lanchonete e pedimos café.
Ele já está viúvo há duas décadas. O dinheiro, repete, cada vez mais escasso. Agora, os netos e as netas também vivem naquela casa que projetei.
– E o senhor pediu pra eu tirar a piscina, lembra?
Milton P. sorri e diz que nem sabe como aguentou sem piscina em casa nessa cidade de trinta, trinta e cinco, quarenta graus.
– Agora tem uma represa e passou a ventar. Mas, antes, era um calorão só.
Pedimos mais café e o professor me conta que, quando casou, tinha apenas um clube na cidade, “a única piscina”. Ele, outros professores e funcionários públicos tentaram entrar, mas foram recusados como sócios.
– Era o banho da elite. A mesma que está aí até hoje.
Diante da recusa, os professores e os funcionários públicos fizeram uma sociedade para comprar um terreno e construir uma piscina.
– Assim surgiu o Clube dos Papagaios.
– Clube dos Papagaios?
– Fizemos papagaio no banco.
– Papagaio?
– Um empréstimo, sabe?
Milton P. bebe um gole de café, fica em silêncio e abaixa a cabeça.
– Até que começaram as brigas.
Os sócios, diz o professor, deixaram de pagar a mensalidade, as dívidas aumentaram e um dia oficiais de justiça fecharam o Clube.
– Foi a melhor fase da minha vida.
O professor conta que, após voltar do trabalho, levava a esposa e os filhos no Clube dos Papagaios e eles se refrescavam na piscina.
– Era uma festa.
Ele insiste em dividir, mas pago a conta e digo que é um prazer reencontrá-lo. Caminhamos até um ponto de ônibus e Milton P. comenta que, se eu retornar à cidade, poderíamos nos ver de novo.
– É muito bom conversar com você, André M.
O ônibus chega, aceno, o professor também e tenho a impressão de que nunca mais verei Milton P.

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Conto publicado originalmente na página 61 da revista Ideias, edição de dezembro de 2013.

Resenha de "Salvar os pássaros"


         A linguagem fluente leva o leitor da primeira à 175.ª página, a última, de Salvar os pássaros (Encrenca: Curitiba, 2013), o mais recente livro de Luiz Felipe Leprevost (na foto de Olívia D'Agnoluzzo). Apresentado em texto de divulgação como coletânea de contos, a obra funciona, mesmo, mais do que tudo, como texto contínuo, novela ou romance.
Apesar de mínimas variações, modulações sutis, todos os textos são enunciados por um único narrador; é o mesmo narrador que não usa maiúsculas para iniciar frases; narrador esse que pega o leitor e a leitora pelas mãos e os conduz num fluxo contínuo, ininterrupto de palavras que provocam sensações, emoção, percepções outras – paraísos artificiais enfim.
Os enredos interessam, podem interessar, mas Salvar os pássaros oferece passaporte para seguir pelos enredos, apesar dos enredos, a partir de personagens e situações, por exemplo, da descrição detalhada de uma transa que funciona como ideia-força pra dizer e reforçar a tese que sexo é amor, amor é sexo – o resto, ora direis, ouvir bocejos, pode ser prosa, no máximo coleguismo.
         Tudo é movimento em Salvar os pássaros. Quem narra flui, quem lê também. A prosa de Leprevost segue e salva o leitor, por exemplo, do desgastado modelo-prisão de começo, meio e fim. Compreender tudo em Salvar os pássaros também não é necessário – e quem compreende as coisas nesse caos fragmentado com Facebook 24 horas aceso diante de todos nós?
         Salvar os pássaros fala: “e aquela voz: você não sai da janela. eu já estava morando ali agora? bateram a campainha. fui abrir. era aquela que tinha sido o amor da minha vida. eu: entra. e já fui apresentando as duas. foram simpáticas uma com a outra.” Salvar os pássaros lamenta: “posso suportar guardadores de carro não gostarem de mim, bilheteiras de cinema não gostarem de mim, eruditos não gostarem de mim, politizados não gostarem de mim, gerentes de banco não gostarem de mim, descolados não gostarem de mim.” Salvar os pássaros grita: “se tudo é tão triste, por que escrevo? por que não calo minha mão?” Salvar os pássaros delira: “topógrafos do só-buraco.” Salvar os pássaros goza: “ela não é uma dominatrix, não sou um cara com uniforme de bombeiro, optamos por carinho e cuidado, posições ginecológicas, as pernas em ângulo de quase 180 graus, pornô, sim, mas com amor.”
         Salvar os pássaros revela o imaginário livre de Luiz Felipe Leprevost, que dialoga com a tradição literária e marca o seu próprio terreno no mapa literário contemporâneo. O texto inventivo de Leprevost tem a aparente falta de continuidade e sentido de um solo de Jimi Hendrix e, a la Hendrix, ele realiza uma literatura experimental absolutamente irresistível, arrebatadora (esse livro não seria, na realidade, um álbum de rock and roll?): é um corpo solto que dança, fluxo de água que não se represa. Salvar os pássaros é um dos destaques do ano literário 2013.

Serviço: Salvar os pássaros, de Luiz Felipe Leprevost. Encrenca, Curitiba: 2013. 175 páginas. Preço: R$ 28. Avaliação: Ótimo.



Texto publicado originalmente na revista Ideias, dezembro de 2013, edição 146, na página 63, com o título Free as a bird.