segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Bicicletas de Curitiba

Minhas pernas doem, espero que não seja inflamação nos músculos, mas, enfim, pedalo nessa rodovia que vai me levar até o meu amor. Chego suada, ele gosta e diz que até prefere assim. Fazer o quê? Se eu morasse em Curitiba, tudo seria diferente. Mas sou de Piraquara que, na real, é logo ali.
Poderia vir de carro, mas desde que conheci o Bernardo estou pedalando. Ele curte esse lance de cicloativismo, novos modais, menos carros, mais gente de bike nas ruas.
Me apaixonei pelo Ber, apesar da gente nunca ter transado. Ele sofre de disfunção erétil. É broxa. E mesmo sem transar estou a fim. O Ber me abriu um novo horizonte. É a primeira vez que namoro um carinha que curte esse som e, mais que tudo, essa visão de mundo pós-Los Hermanos.
Sigo nessa rodovia, está demorando, e lembro que há alguns meses eu ainda morava em Campo Largo e também tinha que pedalar por uma rodovia para chegar até o Nonô, que é como eu chamo o Ber quando ficamos juntos — o que, lamento, não está acontecendo ultimamente.
Ele gosta, demais, de frequentar eventos a céu aberto. E eu o acompanho. Tem réveillon fora de época, bloco de carnaval no centro histórico, cerveja, vina e manjubinha na calçada. Muita gente participa e, não fosse pelo Ber, talvez eu não tivesse acesso. Os homens, em sua maioria, usam o mesmo uniforme: all star, jeans, camiseta de banda e barba. As mulheres vão de saia, sandália e unhas por fazer. Tenho a impressão de que eles, e elas também, não tomam banho todos os dias.
Mas o que me chama atenção é o comportamento desses caras: andam devagar, quase se arrastando, falam baixinho, pra dentro, sorriem e dão a impressão de serem molinhos, a começar pelo aperto de mão. O Ber é assim. Os amigos e os conhecidos dele também são.
Um ônibus buzina e quase perco o controle. Preciso prestar mais atenção no trânsito.
A Bruna, uma de minhas melhores amigas, diz que estou cometendo um equívoco. Ela acha que esses caras, o Ber e os amigos dele, são todos uns frouxos, e eu ainda nem contei, pra ela, que o Ber é broxa. Ou melhor, está broxando — pelo menos é o que ele fala pra mim. “Mas vai passar, tenha certeza. E não tenha pressa. Eu te amo”, ele sussurra nos meus ouvidos.
A Juzinha, minha amiga desde a infância, insiste para que eu me afaste desses caras que, na opinião dela, são uns losers e se assustam com a ideia de casar, ter filhos, conseguir um bom emprego e, enfim, assumir a vida adulta. Eu acabei me afastando da Juzinha. Tenho outra opinião.
Já namorei playboy, executivo, surfista, pós-graduado, uns canalhas, brutos e insensíveis. Estou em uma das melhores fases da minha vida profissional, com um salário que nunca imaginei que iria receber e quero mais é viver com gente relax.
Nunca presenciei briga nesses eventos a céu aberto. A turma do Ber é da paz. A Mari já me perguntou: o que será que eles fazem com a agressividade? Não tenho a resposta. Sei que escutam as canções do Cícero, do Jeneci, do Apanhador Só e de Todos os Caetanos do Mundo.
Agora, estou em Curitiba — essas viagens de bike são ótimas, e perigosas, mas penso durante a ida e a volta e isso é valioso.
O que está acontecendo? Por que toda essa movimentação em frente ao apartamento do Ber?
— Sim. O meu nome é Cassandra.
Um policial conversa comigo. Deixo a bicicleta no muro, sento na calçada e alguém me entrega uma garrafa de água mineral. Bebo um, dois, três goles. Não sei se entendi, exatamente, o que o policial me disse.
Há algumas horas, um motorista seguiu dois ciclistas após receber uma fechada em uma avenida do centro. O condutor de um Fox foi tirar satisfação, levou duas facadas e morreu dentro da ambulância, antes de chegar no hospital. Um dos ciclistas se chama Roberto. O outro é o Ber. Eles fugiram.
E isso não é tudo.
Na quinta-feira da semana passada, um homem de 89 anos estava caminhando na faixa de pedestre, foi atingido por um ciclista e morreu. O acusado é o Ber, o meu Ber, que, de acordo com a polícia, responderá, neste caso, por homicídio culposo.
O policial que falou comigo também disse que o Ber e os seus amigos são investigados, há algum tempo, na operação “Cara estranho”, que apura crimes cometidos contra pedestres, incluindo atropelamentos, sobretudo à noite, em ciclovias.
Fui intimada, vou ter que prestar depoimento e começo a desconfiar que estou dentro de um pesadelo de onde eu gostaria de sair imediatamente e acordar, agora, na minha cama, se possível, ao lado do Ber, daquele Ber fofinho, molinho e broxa, mas da paz.


Bicicletas de Curitiba é um conto de Marcio Renato dos Santos publicado originalmente na seção Em busca de Curitiba, nas páginas 12 e 13 do jornal Cândido, edição 41, de dezembro de 2014. A ilustração é do Allan Sieber.


domingo, 7 de dezembro de 2014

Uma resenha de "2,99"

O escritor Paulino Júnior leu e escreveu uma resenha sobre o 2,99, o meu mais recente livro de contos, publicado em 2014 pela Tulipas Negras. O conteúdo está no blog Tertúlia.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

2,99 e os mitos fundadores

"Além do humor e do aparente nonsense, para nada dizer do texto mais do que fluente, '2,99' trata dos mitos fundadores de Curitiba. O conto 'Conduzidos por Minha Pequena Eva' coloca em cena os poetas sem obra nem poesia, arquétipo da capital paranaense: são os que querem ser o que nunca serão. '2,99' é livro para ler, reler e olhar de novo nas entrelinhas. Tem mais, linguagem e trama, do que parece ter."
Ricardo Meirelles, leitor e estudioso de literatura brasileira contemporânea.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Assine o RelevO e ganhe 2,99

Quem assinar o Jornal RelevO até 31 de outubro de 2014, próxima sexta-feira, ganha 1 exemplar autografado de 2,99, o meu mais recente livro de contos. A assinatura é anual e custa só R$ 50.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Shopping Mall

Nesta quarta, 22 de outubro de 2014, com o Vitor, no lançamento de Shopping Mall, o décimo segundo romance de Guido Viaro, escritor e amigo. No Centro Paranaense Feminino de Cultura, em Curitiba.

O meu mais recente livro de contos


sexta-feira, 3 de outubro de 2014

A repercussão de 2,99

O jornalista Aroldo Murá fez uma análise da repercussão de 2,99, o meu mais recente livro de contos, publicado pela Tulipas Negras. A coluna foi publicada no jornal Indústria&Comércio.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Maria Valéria Rezende

Conheci, pessoalmente, a Maria Valéria Rezende, autora, entre outros, do magnífico Quarenta dias. Em Curitiba, na tarde de 18 de setembro de 2014.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Cândido 38


Presente de casamento

Presente de casamento é o meu quarto e último texto publicado nesta temporada de 2014 na Gazeta do Povo. Agradeço aos amigos e amigas do jornal pela oportunidade e a todos os leitores e leitoras, pela audiência. Obrigado.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Gerson, leitor de 2,99

O Gerson, aluno da professora Vivian Oliveira, é leitor de 2,99. Ele estuda na Escola Municipal Mariana Garcez Duarte, em Castro (PR), na Educação de Jovens e Adultos.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

domingo, 31 de agosto de 2014

Jornada literária em Castro

Passei todo o dia 29 de agosto de 2014, uma sexta-feira, em Castro, cidade paranaense. O primeiro compromisso foi no Colégio Sesi, onde conversei, a partir das 15 horas, com alunos e alunas que leram 2,99, o meu mais recente livro de contos, publicado pela Tulipas Negras. Às 20 horas, fui o escritor convidado para a estreia do projeto Castro Literária, um bate-papo com a comunidade, realizado no Clube União.

Cartazes para 2,99

62 alunos do Colégio Sesi Castro receberam exemplares de 2,99, o meu mais recente livro de contos, publicado pela Tulipas Negras Editora. Eles leram o livro e, em grupos, analisaram o que escrevi e produziram cartazes sobre os contos, por exemplo, "Rastros" e "No Leblon".

"O senhor é louco!"

Os alunos do Colégio Sesi Castro leram 2,99, o meu mais recente livro de contos e, no dia 29 de agosto de 2014, tive a oportunidade de conversar com eles. "Com todo o respeito, o senhor é louco! E foi essa loucura que encantou a todos", escreveram, alguns deles, em uma carta, pra mim. Maravilha!

No Colégio Sesi Castro

No dia 29 de agosto de 2014, conversei com os alunos do Colégio Sesi Castro. Há 1 mês, 62 alunos receberam exemplares de 2,99, o meu livro de contos publicado este ano pela Tulipas Negras. Então, agora, tive a oportunidade de dialogar com eles, que comentaram os 16 contos. Experiência única!


quinta-feira, 28 de agosto de 2014

É isso aí

Hoje, dia 28 de agosto de 2014, a Gazeta do Povo publica, na página 10 do caderno Vida e Cidadania, mais um texto meu: "É isso aí".

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Primeira resenha de "2,99"

Aguinaldo Severino acompanha praticamente tudo o que é publicado no Brasil, no que se trata de literatura. Ele leu e resenhou "2,99", o meu mais recente livro de contos. O texto está no blog Livros que eu li e também pode ser lido nesta postagem: 
De Marcio Renato dos Santos só conhecia seu "Dicionário amoroso de Curitiba", que já resenhei aqui. A protagonista daquele dicionário é sua Curitiba fundamental, entretanto Marcio soube povoá-la com um bocado de personagens interessantes. "2,99", o mais recente livro dele publicado, também trata das coisas urbanas, mas agora sua Curitiba se esconde algo tímida nas histórias e deixa brotar delas uns personagens estranhos, que são como fantasmas que assombram a si mesmos. As histórias são curtas e convincentes. Uma fala da rotina de um alcoólatra que para de beber e encontra o sucesso; noutra um motorista infernal transporta o narrador para um destino incerto; noutra ainda três personagens saem em busca de um enredo: procuram algo na vida dos outros. Os contos não são verborrágicos, nem servem de plataforma para longas teorias sociológicas e/ou psicológicas. Eles apresentam situações corriqueiras (que estão sempre no limite da estranheza ou da loucura, mas nunca se abrigam na irrealidade ou no fantástico. Gostei particularmente de "Guevarinha" (sobre um casal de esquerdistas festivos), "Bia" (sobre uma garota que faz o censo de suas amantes), "Nóia" (sobre uns amigos que veem TV e futebol como uma espécie de meditação) e "Caminho de Santiago" (sobre um sujeito que se sente culpado e vaga pelas escadas de um escritório ou labirinto). Bueno. São 16 contos no total. Dezesseis invenções onde o leitor acompanha sempre um narrador muito curioso do destino das pessoas que encontra ao acaso (e boa parte desta curiosidade o Marcio Renato alcança transferir ao leitor através de sua boa prosa).

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Esse inverno vai acabar

A partir de hoje, nas quintas-feiras, a Gazeta do Povo passa a publicar, no primeiro caderno, Vida e Cidadania, textos meus. Prosa inédita. É no espaço do Carlos Ramalhete, que está em licença médica. "Esse inverno vai acabaré o primeiro desta temporada. Obrigado pelo convite, Maria Sandra Gonçalves, Marcio Campos e Rhodrigo Deda (o abraço segue para Guilherme Cunha Pereira e Ana Amélia Filizola) O texto pode ser lido por aqui.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Amauri Martineli recomenda a leitura de "2,99"

O diretor cultural da Fundação Cultural de Paranavaí, Amauri Martineli, recomenda a leitura de 2,99, o meu mais recente livro de contos. 2,99 é um lançamento da Tulipas Negras Editora.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

2,99: alternativa à mesmice dos modismos literários atuais

O professor da Universidade de Caxias do Sul João Claudio Arendt leu "2,99", o meu mais recente livro de contos, e afirma: "Leitura recomendada aos amantes da narrativa enxuta." A respeito de "2,99", lançamento da Tulipas Negras, Arendt ainda observa: "Há nele uma voz autoral que se afirma como alternativa frutífera à mesmice dos modismos literários atuais."

quarta-feira, 16 de julho de 2014

"Vale bem mais que 2,99"


2,99 faz sucesso em Maringá

"Contos sucintos, brilhantemente claros graças à facilidade que o autor tem de contar uma história por meio do texto e, em certa medida, engraçados." Fragmento da reportagem "Vale bem mais que 2,99", de autoria de Wilame Prado, publicada hoje, 16 de julho de 2014, em "O Diário do Norte do Paraná", de Maringá. O jornalista produziu um texto sobre "2,99", o meu mais recente livro de contos, publicado pela Tulipas Negras Editora.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

2,99 em destaque no Sebo Kapricho II

Em Curitiba, sebos comercializam diversos títulos novos. 2,99, o meu mais recente livro de contos, publicado pela Tulipas Negras Editora, está em destaque no Sebo Kapricho II.