quinta-feira, 29 de março de 2012

segunda-feira, 26 de março de 2012

Manias de Minda-Au

O escritor Michel Laub publica em seu blog depoimentos de escritores brasileiros sobre as suas manias quando escrevem. Fui convidado e o meu depoimento pode ser lido abaixo ou diretamente no blog dele.

Marcio Renato dos Santos, autor de Minda-Au “Escrevo o tempo todo, principalmente quando não estou diante do computador. Caminhar. Sinto necessidade de seguir pelas ruas, todo dia, até na chuva – e em Curitiba chove. São seis, sete quilômetros de onde moro até um parque, e retorno. No trajeto, 90 ou 100 minutos, faço literatura. Penso nas personagens, na trama, na linguagem, elaboro cenas, frases, diálogos. Volto. Moro no quarto andar. Sigo pelos degraus. Abro a porta, fecho e vou até o escritório. O computador está ligado, sento na cadeira, pronto. Começo a escrever, e todo o plano anterior, da caminhada, se desfaz. O que sai é outra prosa. Daí, tenho café, que me acalma, água com gás pra me estimular. Escrevo, reescrevo. Sigo, se for em silêncio, melhor. Mas se houver som, dança de tamancos no andar de cima, solo de tuba, no de baixo, sai do mesmo jeito. Sai. De manhã ou à noite. Também no horário do almoço, entre os turnos do trabalho. E trabalho a fazer textos, oito horas todo dia. Descanso do trabalho a escrever ficção, a reescrever. Sonho com meus textos. Minda-Au, publicado pela Record em 2010, surgiu das madrugadas. Você tem à disposição todas as cores, mas pode escolher o azul, o segundo livro, do ano passado, é fruto da insônia. O terceiro, 934, que saiu pela Tulipas Negras, e teve toda a tiragem distribuída dia 25 de fevereiro em Curitiba, durante a Quadra Cultural 2012, é do mundo dos sonhos. Escrevo durante as férias, com caneta em cadernos. Se viajo, uso as máquinas do hotel. Tenho de escrever. Se não? Dá vontade de derrubar postes, atropelar carros com meus sapatos ou arrancar paralelepípedos e atirar por aí. Mas não. Escrevo, escrevo e escrevo assim, sem manias, de qualquer jeito, e o texto acontece.”

Foto de Dico Kremer.

quinta-feira, 15 de março de 2012

La dolce vita

— O trabalho foi inventado pra evitar, ou adiar, brigas entre o casal.

A frase pronunciada pelo Gadu fez com que olhares se voltassem para a mesa onde estávamos sentados. O meu conhecido, de mais de 50 e menos de 60 anos, seguiu com a sua argumentação em voz alta.

— Marcio, se você ficar com a sua companheira o dia todo, vocês se enjoam.
— Mas...
— Não tem mas. É fato. O ser humano inventou o trabalho pra sair de casa e evitar conviver com a companheira ou companheiro.
— Gadu, e quem trabalha em casa?
— O sujeito enlouquece e antecipa o fim do casamento.

O Gadu não deixa o interlocutor falar. Às vezes, pergunta e ele mesmo responde.

— Marcio, o negócio é trabalhar apenas pra evitar a briga com a companheira.
— Mas...
— Sabe de outra coisa? Bom mesmo é não trabalhar.
— Você...
— Trabalhei por um breve período. O suficiente pra me tornar rico e abandonar as baias e o cartão-ponto.
— É...
— Marcio, trabalhar não está com nada. Não gosto do trabalho nem de quem trabalha.
— Mas você...

O Gadu deve considerar a minha interlocução mera pausa, no máximo uma vírgula, pra ele seguir discursando. Não há diálogo. Apenas o monólogo – dele. Hoje o Gadu começou a falar sobre o universo do trabalho porque, em uma mesa ao lado, três casais brindavam o começo do ano útil. Os vizinhos de mesa pediram chope e iniciaram uma conversa a dizer, ufa, viva, o carnaval acabou e o país, enfim, deu início às atividades. O Gadu permaneceu por alguns minutos em silêncio; eu estava quieto a beber vinho. Então o Gadu pronunciou a primeira frase, na qual garante que o trabalho tem como objetivo evitar brigas entre casais por separar os cônjuges durante oito horas, e as pessoas da mesa ao lado pararam de falar.

— Marcio, você deve saber, eu não tenho amigos que trabalham.
— Eu trabalho, Gadu.
— Você é exceção.
— Gadu...
— Sabe, Marcio, gosto é de viver a vida. Meu negócio é velejar segunda ou terça-feira, por exemplo. Se o sujeito trabalha, não tem como me acompanhar. Então, risco o nome da figura da minha agenda.
— Mas Gadu, em muitos casos, se o sujeito não trabalha, nem consegue sobreviver...
— Marcio, qual é a tua?
— A minha?
— Sim, Marcio. O trabalho não está com nada. É sobre isso que eu falo. Já tive de trabalhar, mas sei, todos sabemos, trabalhar não é bom. O negócio é o recreio, o intervalo...
— Gadu...
— Marcio, trabalhar é perda de tempo. E precisamos de tempo pra viver, pra tudo, pra...
— Gadu...
— Sou rico por que não trabalho ou é por não trabalhar que sou rico? Sabe a resposta, Marcio?
— Eu...
— Sou rico porque uso a cabeça. Sou rico porque não passo parte do dia fazendo tarefas, sou rico porque sou genial.
— Mas...
— Mas eu falava, Marcio, que o trabalho foi feito pro casal não brigar, e isso é sério. Eu caso, descaso, mas sempre fico fora de casa a maior parte do tempo. Tenho duas casas.
— Duas casas?
— Exato, Marcio. Eis o segredo de um relacionamento.
— É a receita para um relacionamento?
— Exatamente, Marcio. Passar muito tempo sem ver a companheira. Por que se não, já viu.
— Gadu, posso fazer uma pergunta?
— Claro?
— Você está casado?
— Não. Por quê?, Marcio.
— Por nada.

Crônica publicada na edição 125 da revista Ideias, março de 2012, da Travessa dos Editores. Ilustração de Marciel Conrado. Link da crônica da página da Ideias: http://tinyurl.com/7dppcwx

terça-feira, 13 de março de 2012

No Diário de Maringá

O jornal O Diário, de Maringá, publica nesta terça-feira, 13 de março de 2012, a matéria Nova geração de autores curitibanos surge impulsionada pela existência de revistas literárias. O repórter Fábio Massalli me entrevistou, cita Minda-Au e o conteúdo pode ser conferido aqui.

Minda-Au no Cândido 8

O jornal Cândido, da Biblioteca Pública do Paraná, publica em sua edição N.º8 matéria de capa sobre a Curitiba literária. Confira a reportagem aqui.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Diário Coloquial

Os artistas Marciel Conrado, Silvio Rodolfo e Neiton Nunes inauguram o projeto “Diário Coloquial” no dia 11 de março, a partir das 10 horas, na Galeria Júlio Moreira. Trata-se de uma ocupação artística em espaço público - projeto contemplado com o edital de Arte Urbana da Fundação Cultural de Curitiba. 

A partir do fomento, os artistas irão produzir desenhos com pincel e nanquim, tinta spray e colagens aplicados nas paredes da sala situada na travessia subterrânea que liga a Catedral ao Largo da Ordem. “Trata-se de uma configuração semelhante às HQs (histórias em quadrinhos), mas justapondo imagens sem priorizar narrativas fechadas, com o propósito de gerar interpretações diversas”, diz Marciel Conrado.
Diário Coloquial” traduz a observação de três artistas inseridos no contexto urbano, que vivenciam o graffiti nas ruas de Curitiba e multiplicam suas produções em conjunto.
De acordo com Silvio Rodolfo, realizar essa proposta em um ponto de circulação intensa de pessoas dialoga com as suas expectativas, uma vez que ele e os outros dois artistas já realizam intervenções no espaço público. “A Galeria Júlio Moreira, localizada em um acesso exclusivo para pedestres que liga dois pontos tradicionais da cidade, conta também com um público específico que dispõe de pouco tempo para frequentar museus e outras galerias convencionais. Sendo assim, ela se mostra ideal para abrigar este trabalho, intimamente ligado a urbanidade e suas agitações”, afirma Rodolfo.
Durante o período de exposição, também será lançada uma publicação produzida em conjunto pelos três artistas e o escritor Marcio Renato dos Santos.
SERVIÇO: Inauguração do projeto "Diário Coloquial", dos artistas Marciel Conrado, Silvio Rodolfo e Neiton Nunes. Dia 11 de março (domingo), a partir das 10 horas. Galeria Júlio Moreira, Curitiba (PR). Entrada franca.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Com Luis Henrique Pellanda

Cristiano Castilho, Renan Machado, Luis Henrique Pellanda e eu durante a Quadra Cultural 2012, em Curitiba, ao lado do estande da Tulipas Negras.