quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Petrolina



Carlos, meu caro, o seu romance mais recente, Petrolina, traz uma visão complexa do que é e pode ser a música, do que é e pode ser um músico. Busque o extraordinário, a voz narrativa ensina, a respeito do que um músico deve buscar. Testemunho de fé, a narração explica, sobre o que uma canção deve ser.

Mas, Carlos, meu amigo, falei que é a voz narrativa que ensina e explica, e você sabe, eu também sei, quem escreve é o escritor — apesar do narrador. Esta mensagem é confidencial, uma carta, um e-mail, que professores de literatura não vão ler. Eles ficam chateados quando alguém  afirma que é o escritor quem escreve. Para os especialistas, é o narrador quem narra. Mas sabemos, eu sei, que é você quem narra em Petrolina e em todos os seus livros (apesar dos narradores que você criou).

Carlos, amigo que não conheço pessoalmente, nunca estivemos ao vivo, Carlos, meu caro: Petrolina revela o quanto você conhece a respeito de música, do poder das canções, de como um álbum, como o Nevermind, pode fazer um sujeito, como o Zeca, abandonar uma banda, deixar o rock pra nunca mais. Petrolina ainda vai deixar em suspenso, no ar, por meio apenas da voz de Carmen, pistas sobre os motivos que fizeram o Sebastião abandonar a música.

Carlos, escritor único, você (ou a narração de seu romance) conseguiu mostrar, de um jeito surpreendente, como duas pessoas, ou os dois personagens, Oscar e Sebastião, podem reagir de maneira diferente, radicalmente oposta, a um mesmo fato. E, sabe, tudo bem eu falar sobre isso, não se trata de spoiller, somente você vai ler este comentário, afinal, já falei, essa mensagem é secreta.
  
Caríssimo Carlos, o que surpreende ainda mais em Petrolina é que o livro é uma viagem de uma família, mas principalmente de um sujeito, o Zeca, em busca dele mesmo. E durante o deslocamento físico entre São Paulo e Petrolina, ele vai se revelar aos leitores enquanto ele mesmo se reencontra. O movimento centro-interior, superfície-interior, deflagra várias leituras, e essas leituras ainda adquirem outras nuances devido ao impacto do que você, ou o narrador, fala sobre música.

Petrolina, Carlos, também é impactante por causa da habilidade que você (ou o narrador) demonstra ao misturar, sutilmente, mas sem provocar confusão, a voz dos personagens — habilidade presente em seu livro anterior, Super-homem, não-homem, Carol e Os invisíveis.

Carlos, já estou em férias, longe, distante do meu computador, prometi que não iria escrever nada nesses dias de folga, mas desde que terminei a leitura de Petrolina eu precisava te enviar essa mensagem, carta, e-mail, que — enfim espero que chegue até você.

Obrigado por Petrolina, obrigado por tudo (vou reler sua obra nesses dias).

Um grande abraço, de seu leitor,

Marcio.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Encontro com Miguel Sanches Neto

No lançamento do Roteiro Literário — Jamil Snege, na BPP, na tarde de 13 de dezembro de 2017.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Obrigado audiência

Obrigado a todos vocês que nesta semana aumentaram a audiência deste blog, em especial aos que clicaram no conto (apresentado em fragmentos) "Modus operandi do Conspirador da Terceira Idade". A narrativa será retomada, e apresentada na íntegra, em um futuro livro impresso. Ou na realidade mais próxima. Um grande beijo, um grande abraçaço. 

(M)eu presépio


Terra


Meu quinto livro de contos


quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Modus operandi do Conspirador da Terceira Idade (4)

Vou dançar. Em um espaço público, onde posso vir a ser alvo fácil. Vou dar bandeira, outra vez mais, fingir que sou bobo, melhor assim. Daí, talvez o Conspirador da Terceira Idade encomende um ataque. Conheço os sujeitos que ele contrata. Tenho a ficha de todos, até de quem faz a intermediação. É uma grande oportunidade, rara. Ele não sabe, mas está monitorado. Não estou sozinho nesta jornada. Fiz as alianças necessárias. Podemos, poderemos, como nunca antes até então, colocar o Conspirador da Terceira Idade na jaula. E, aí, vai ser demais. Se tudo der certo, nem com grana e amizade comprada ele se livra da prisão. Mas, antes disso, é preciso relaxar — por isso sigo dançando.  

Biblioteca lança a coleção Roteiro Literário

A Biblioteca Pública do Paraná realiza no dia 13 de dezembro o lançamento da coleção Roteiro Literário. O evento tem início às 15h na Arena BPP, no Hall Térreo, com a presença da Cia de Teatro do Urubu, que vai ler trechos de livros do escritor Jamil Snege (1939-2003), entre os quais Como tornar-se invisível em Curitiba (2000) e até mesmo o romance inacabado, O grande mar redondo. A partir das 16h, o escritor Miguel Sanches Neto autografa o Roteiro Literário — Jamil Snege, livro publicado pele selo Biblioteca Paraná. A entrada é franca.

Idealizada pela BPP, a coleção Roteiro Literário traz a cada título um ensaio inédito sobre a vida e a obra de um escritor paranaense já falecido e uma relação dos locais que ele frequentava, conteúdo ilustrado por fotografias produzidas para o projeto. Se o autor do ensaio conheceu pessoalmente o escritor homenageado, o título em questão também abre espaço para um capítulo sobre esse convívio.

O primeiro título da coleção, assinado por Miguel Sanches Neto, é sobre Jamil Snege. Os dois conviveram e os leitores vão encontrar ao final do livro um relato a respeito do breve, mas intenso, convívio entre eles. No entanto, o que se destaca é o ensaio em que Sanches Neto analisa a literatura do curitibano que sobreviveu trabalhando com propaganda, mas que desejava, mais que tudo, ser escritor.

Sanches Neto consegue definir, com precisão, a essência do projeto literário snegiano: “Jamil Snege é um caso típico da cena paranaense, principalmente por ser um escritor de brevidades, ligando-se assim a uma linhagem que vem do contista Newton Sampaio, da prática do haicai em Helena Kolody, Alice Ruiz e Paulo Leminski, das fábulas de Wilson Bueno, dos microcontos de Dalton Trevisan”.

Guilherme Pupo produziu as fotos que ilustram verbetes com locais frequentados por Snege, como a Boca Maldita, ou a Serra da Graciosa, que aparece em Viver é prejudicial à saúde (1998). Assim, os leitores terão a oportunidade de conhecer a cidade que o autor habitou, frequentou e a respeito da qual escreveu.

O diretor da BPP, Rogério Pereira, afirma que a coleção Roteiro Literário tem a finalidade de divulgar a literatura paranaense. “No caso específico do Jamil, autor que morreu há uma década e meia, com a obra esgotada e fora do comércio, a proposta se revela imprescindível por apresentar o legado do escritor para as novas gerações, que merecem conhecer a produção única de Snege”, diz. Pereira anuncia outros dois títulos da coleção, previstos para o primeiro semestre de 2018: o Roteiro Literário — Paulo Leminski, escrito poeta e ensaísta Rodrigo Garcia Lopes, e o livro sobre Helena Kolody, a cargo da professora da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) Luísa Cristina dos Santos Fontes. 

Serviço:
Lançamento da coleção Roteiro Literário
Dia 13 de dezembro (quarta-feira)
Às 15 horas, a Cia de Teatro de Urubu lê Jamil Snege
Às 16 horas, Miguel Sanches Neto autografa Roteiro Literário — Jamil Snege, livro publicado pela Biblioteca Pública do Paraná por meio do selo Biblioteca Paraná
Biblioteca Pública do Paraná (R. Cândido Lopes, 133 — Curitiba/PR)
Entrada franca
Mais informações: (41) 3221-4974
Fonte: BPP

O meu quarto livro de contos


quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Depois do prazer


Modus operandi do Conspirador da Terceira Idade (3)

Há muita confusão no mundo. Quanta gente confunde as coisas. O Conspirador da Terceira Idade, por exemplo, é, acima de tudo, um medroso. Sente medo de ficar sem dinheiro. Tem medo de quase todas as pessoas. Mas, enganando-se, se apresenta como corajoso. Não tem culhão para chegar em frente a um homem e brigar, trocar socos. Contrata um capanga para dar uma surra em um desafeto. Geralmente, o pau-mandado ataca pelas costas o oponente do contratante. Ou então, o Conspirador da Terceira Idade paga para um outro vagabundo deixar um sinal em frente à casa de um adversário, sinal que pode ser objeto fúnebre ou animal degolado. O Conspirador da Terceira Idade é um cagão, medroso, bunda-mole total, mas talvez não saiba disso — não, intimamente ele sabe que é um merda, da mesma maneira que o Maestro Pé-Vermelho, o Toureiro Catarina e o Falso Franciscano Sulista também são e sabem que não passam de nulidades, apesar de serem reconhecidos publicamente por aquilo que nunca serão.  

O meu terceiro livro de contos


terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Roteiro de uma jornada experimental

Fiz reportagem sobre o legado literário do Manoel Carlos Karam (1947-2007). Entrevistei Marçal Aquino, Joca Reiners Terron, Carlos Henrique Schroeder, Thiago Tizzot, Bruno Karam, Michelle Pucci e Katia Kertzman. O conteúdo está na edição 77 de jornal, de dezembro de 2017, e pode ser lido por meio deste linque.

Modus operandi do Conspirador da Terceira Idade (2)

O que impede o Conspirador da Terceira Idade de criar literariamente é o conflito que ele mantém com sua sombra. Ah, também não consegue criar poemas, mesmo frequentando saraus e oficinas de criação.  
O personagem tem convicção de que o dinheiro tudo compra, e ele, então, manda buscar. Putas, ou melhor, mulheres, comida, cocaína, vinho, CDs, charutos, bolachas recheadas norte-americanas, livros, material para despacho, armas, vibradores e outros produtos. Se usufrui daquilo que compra, o problema é dele.
Mas o problema que o aflige é a incapacidade criativa.
Travado e impotente, quer perturbar a vida de quem, diferentemente dele, escreve, canta, esculpe e rege. Daí que não sou o único que o Conspirador da Terceira Idade procura prejudicar. O sujeito quer destruir os que possuem coragem, característica que não possui o destruído homem que teme ficar sem dinheiro.

It's in the way that you use it


O meu segundo livro de contos

Golegolegolegolegah! (Travessa dos Editores, 2013)

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Modus operandi do Conspirador da Terceira Idade

Não basta colocar o Glutão, o velho Glutão, para encher meu saco. O Conspirador da Terceira Idade contrata um time de Zé-Ruelas. Eles ligam para o meu celular, desligando quando vou atender. Como se eu não soubesse das manias, das nóias, do sujeito incapaz de escrever ficção, seu sonho maior, fracasso confirmado todo dia.

O meu primeiro livro de contos

Minda-au (Record, 2010).

Quem me salvará sou eu