quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Hoje tem A noite do absoluto

Hoje, dia 12, a partir das 17 horas, acontece o lançamento de A noite do absoluto, livro de Ernani Reichmann, na Biblioteca Pública do Paraná. Publicada em parceria pela BPP e a Academia Paranaense de Letras, a obra traz o texto original de Reichmann, editado em 456 páginas, além de uma apresentação assinada por Ernani Buchmann, o presidente da APL, e o prefácio de Guido Viaro, escritor e ocupante da Cadeira 14 da instituição. O desenho da capa é de autoria do artista Visca. A entrada é franca.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Com Adélia Maria Woellner

No lançamento de Caçador de estrelas, na OAB Paraná, dia 6 de dezembro de 2018, às 19:31.

Com Ernani Buchmann

No lançamento de Uma serenata em Paris, na OAB Paraná, dia 6 de dezembro de 2018, às 19h19.

Com Luísa Cristina dos Santos Fontes

No lançamento do Roteiro Literário — Helena Kolody, na Biblioteca Pública do Paraná, dia 6 de dezembro de 2018, às 18:35.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Biblioteca e Academia Paranaense de Letras publicam obra de Ernani Reichmann

A Biblioteca Pública do Paraná realiza o lançamento de A noite do absoluto, livro de Ernani Reichmann, no dia 12 de dezembro (quarta-feira) a partir das 17 horas na Arena BPP. Publicada em parceria com a Academia Paranaense de Letras, a obra traz o texto original de Reichmann, editado em 456 páginas, além de uma apresentação assinada por Ernani Buchmann, o presidente da APL, e o prefácio de Guido Viaro, escritor e ocupante da Cadeira 14 da instituição. O desenho da capa é de autoria do artista Visca. A entrada é franca.

Publicado originalmente em 1978, A noite do absoluto é considerado um dos pontos altos da produção de Ernani Reichmann (1920-1984), gaúcho que se radicou em Curitiba, onde constituiu família e elaborou vasta obra, com mais de 50 títulos. Professor na Universidade Federal do Paraná (UFPR), foi um estudioso da obra do filósofo dinamarquês Soren Kierkegaard (1813-1855).

De acordo com o presidente da APL, Ernani Buchmann, a produção intelectual de Reichmann é relevante, porém pouco conhecida entre as novas gerações e precisa de visibilidade. “Daí a necessidade de reeditar A noite do absoluto, importante parceria entre a Biblioteca Pública e a Academia Paranaense de Letras”, diz Buchmann. O diretor da BPP, Rogério Pereira, afirma que, para a instituição, é fundamental recuperar o legado de escritores paranaenses: “Esperamos que esta reedição coloque, novamente, a produção de Ernani Reichmann em evidência”.

Em A noite do absoluto, Reichmann se vale de heterônimos, entre os quais Sorte Peer, van der Lubbe e van Neutgen, para — por meio de uma narrativa literária — discutir aspectos da condição humana e a obra de Kierkegaard, especialmente a morte, mencionada de maneira indireta no título (“noite do absoluto”).

Obsoletos #01

Vale muito ler, e reler, a edição #01 de Obsoletos, iniciativa de escritores, entre os quais João Lucas Dusi, Lucas Silveira de Lavor e Cleverson Antoninho. Gostei, especialmente, das narrativas deles, João Lucas Dusi, Lucas Silveira de Lavor e Cleverson Antoninho. São 3 autores fortes que publicaram 3 narrativas impactantes, todas 3 dialogam com narrativas de Roberto Bolaño, mas também, individualmente, revelam a força peculiar da literatura de João Lucas Dusi, Lucas Silveira de Lavor e Cleverson Antoninho. Link para o conteúdo.  

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Repolho sai de cena



Acordo e é tão bom estar, de fato, acordado. Escapo de um pesadelo com enredo absolutamente assustador, prefiro até esquecer. Meu coração bate tanto, não desacelero. Dormindo ou acordado, tanto faz, sigo tenso o tempo todo.

Então, em frente ao Café Pequeno, vejo a Escuta. Olho para baixo, quero evitar contato visual, mas ela me vê e pronuncia em voz alta o meu nome: Repolho!

Foram sete, ou mais?, minutos que demoraram para passar.

Perguntou o que ando fazendo e, evidentemente, desconfiei que se referia ao crime que cometi semana passada. Eu disse estar atrasado, a Escuta queria saber se era para um encontro, comentei que tinha compromisso e ela falou cuidado para não se comprometer, o que me deixou ainda mais noiado.

Estou na Praça Glú-glú-ié-ié e quase fico tranquilo por não encontrar conhecidos. Mas se não identifico nenhuma pessoa, alguém pode estar observando os meus passos, o que não é nada bom, ao contrário.

Sigo por ruas ao acaso, aparentemente sem destino temporário, e entro em uma pastelaria. No balcão, peço um especial de carne e ovo, refrigerante e sento em uma cadeira. Olho para o lado esquerdo e, coincidência?, vejo o Baiúca. Nos cumprimentamos, ele sorri e pergunta o que estou fazendo, digo que tenho fome, o Baiúca pede informações sobre minhas atividades, permaneço em silêncio, e o sujeito diz que tem sonhado comigo.

Um garçom traz o pastel e o refrigerante, dou mordidas no salgado e goles na bebida, e o Baiúca faz perguntas que não respondo.

Nunca fui entrevistado e, sei lá, isso que acontece agora, ao invés de uma entrevista, deve ser algo que se aproxima de um interrogatório.

Termino o pastel e o refrigerante e digo ao Baiúca que preciso sair. Ele pergunta para onde vou e com que finalidade, comento que é urgente e tenho pressa, o Baiúca segura em uma de minhas mãos, a direita, e afirma que a pressa é inimiga da perfeição.

Não quero ser perfeito e já estou caminhando.

Desconfio que o Baiúca sabe o que fiz semana passada, mas não quero pensar nisso. Preciso esquecer e apenas andar.

E em toda rua por onde passo vejo conhecidos, como o Lambe, a Jira, o Fióte, a Pochete, o Haxa, a Gorda Loka e o Mauro Mensagem, entre tantos. Abaixo a cabeça, aumento a extensão de meus passos e escuto cada um e todos eles pronunciando o meu nome: Repolho, ei Repolho!

Começo, finalmente, correr. Pessoas olham, alguns agarram a mochila, o celular ou a mão de um filho. Esbarro em pedestres, derrubo dois ou três, quase me desequilibro — tenho a impressão de que alguém passou a perna em mim, e, apesar disso, e de outras coisas, me movimento em velocidade acima da média, pelo menos em relação a minha média, os três quilômetros por hora.

Cada passo é um temor, terror, posso estar em terreno minado, com armadilhas sem fim, mundo inimigo. Por isso, estou correndo. Correr, fugir, sabe-se lá para onde, mas correr — é isso. Vou em frente. Até o limite de minhas energias e, creio, tenho energia suficiente para ir bem distante, longe daqui.

Tchau.


Conto publicado na revista Ideias, dezembro de 2018. Ilustração de Vitor Mann.

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Na posse de José Pio Martins na APL

Foto, reprodução do site da OAB Paraná, da posse de José Pio Martins na Academia Paranaense de Letras, evento realizado na noite de 26 de novembro de 2018 na Universidade Positivo. Nesta imagem, Antonio Celso Mendes, Dante Mendonça, eu, Ernani Buchmann, o presidente da APL, e José Augusto Araújo de Noronha, o presidente da OAB Paraná. Confira a notícia publicada no site da OAB Paraná.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Inconveniente

O falsificador desistiu de me vender suas produções. Inclusive, não há mais espaço para quadros nas paredes do meu apartamento.
Recentemente, o sujeito — entre outras solicitações — passou a pedir dinheiro emprestado. Emprestei mais do que deveria, ele disse que paga quando puder, mas sei que dificilmente vou recuperar aqueles dezesseis, dezessete mil. E ainda sugere outras transações.
Mês passado, ou retrasado?, o falsificador me encontrou em um café, e disse: Que surpresa boa! Desconfiei que estava me seguindo, atento a hábitos, entre eles o de eu frequentar um café após às dezoito horas. Desconfiei porque imediatamente após me cumprimentar, o sujeito tirou uma fotografia de dentro de um envelope e perguntou o que eu achava.
A foto era de uma mulher sorrindo.
Ele queria saber se eu pegava. Respondi que não sabia. Perguntou uma terceira, uma quarta, uma quinta vez, insistiu até eu dizer se a mulher era interessante e eu confirmar que, sim, pegaria a mulher. Então, contou que a mulher da foto era a sua esposa.
Nas semanas seguintes, o falsificador me abordou no café e apresentou fotos de uma prima, de sua irmã, de amigas, de uma tia, de artistas, de modelos e até de sua filha. Apesar de eu nunca ter solicitado esse tipo de serviço, ele me pareceu um cafetão sem constrangimento em destacar as qualidades de seu casting, e deu a entender que poderia facilitar os encontros em sua casa.
E, em todas as abordagens, pediu adiantamento.
Evidentemente, recusei as propostas.
O falsificador ainda quis saber se eu estaria interessado em transar com ele. Seria sexo pago, com a vantagem, segundo ele mesmo, de que a experiência ficaria, de fato, apenas entre nós dois.
Tive vontade de mandar o sujeito à merda, mas apenas ri e disse que não estava interessado na proposta.

Passo, então, a frequentar outro café no final das tardes com o objetivo de não ser incomodado pelo falsificador.
Mas, na sexta-feira da semana passada, ele aparece no local, senta em uma cadeira ao meu lado e pede um macchiato. Pergunta se eu poderia indicar clientes, ou com mais precisão: “pessoas com poder de compra”.
Amigos, conhecidos e até desafetos me procuraram, telefonaram ou enviaram mensagem por e-mail. Queriam saber quem era o falsificador e reclamavam de eu ter indicado seus nomes para um sujeito que, mais do que vender quadros, pedia adiantamento e até se insinuava sexualmente.
Foi necessário pedir desculpas a alguns conhecidos, já os amigos fizeram piada. Mas, se eu soubesse que o falsificador seria tão insistente nas abordagens, teria sugerido que ele procurasse o Atômico e o Mínimo, dois indivíduos que não escondem de ninguém que me odeiam. Poderia até insistir para o falsificador entrar em contato com o Tatibitati, criatura desprezível que já me prejudicou excessivamente.

A chegada dos policiais, ontem à noite, alterou todo o cenário. Fui conduzido a uma delegacia, inicialmente sem entender o que acontecia. Não ofereci resistência e somente horas após o começo do rebuliço me dei conta de que eu era um dos suspeitos de assassinar o falsificador, morto com cinco ou seis tiros em uma situação a respeito da qual eu não sabia nada, mas também não soube dizer onde estava no horário da aparente última cena de um sujeito, acima de tudo, inconveniente.


Conto inédito publicado na Revista Ideias de novembro de 2018. Ilustração de Vitor Mann.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Carola Saavedra na Flibi 2018


Edyr Augusto na Flibi 2018


Adélia Maria Woellner na Flibi 2018


Eduardo Bueno na Flibi 2018


Cristian Brayner na Flibi 2018


Marden Machado na Flibi 2018


João Varella na Flibi 2018


Mel Duarte na Flibi 2018


Rubens Figueiredo na Flibi 2018


Alessandro Andreola na Flibi 2018


quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Hélio Leites na Flibi 2018


Claudecir Rocha na Flibi 2018


Bruno Zeni na Flibi 2018


Adriana Sydor na Flibi 2018


Fernando Karl na Flibi 2018


Giovana Madalosso na Flibi 2018


Nikelen Witter na Flibi 2018


Enéias Tavares na Flibi 2018


Bárbara Morais na Flibi 2018


Jotabê Medeiros na Flibi 2018


Marta Sienna na Flibi 2018


Otavio Linhares na Flibi


terça-feira, 9 de outubro de 2018

Pequeno cidadão na Flibi 2018


Luiz Manfredini na Flibi 2018


Luciano Chinda na Flibi 2018


Adriana Tabalipa na Flibi 2018


Fernando Bonassi na Flibi 2018


Jandira Zanchi na Flibi 2018


Lucas Mota na Flibi 2018


Mary del Priore na Flibi 2018


Kenni Rogers na Flibi 2018


Selvática na Flibi 2018


segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Papéis de Maria Dias

No lançamento de Papéis de Maria Dias, romance, o vigésimo livro de Luci Collin. Na Arte & Letra, na manhã de 29 de setembro de 2018.

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Gudzins



         Fernando ganhou o equivalente a um prêmio acumulado da Mega-Sena. Não foi herança, apropriação de patrimônio alheio, furto, roubo ou rendimento de atividade ilegal — uma quantidade de dinheiro inesperada surgiu. E desde então sua realidade, evidentemente, é muito outra.

Está isolado em uma cobertura, no vigésimo segundo andar de um prédio em um bairro situado a quinze minutos do centro.

Poderia, por exemplo, viajar e escolher outro lugar no mundo para viver, mas ele gosta da cidade onde nasceu e, até sem oportunidades, conseguiu sobreviver.

Morar em um imóvel amplo, com piscina, churrasqueira, piso aquecido, adega, suíte com banheira de hidromassagem, quatro quartos, outras quatro salas e, especialmente, ter dinheiro para saciar, em tese, qualquer desejo é a realização de um sonho que o faz-tudo mal remunerado não cogitava que pudesse vir a se tornar sua realidade.

Até o mês passado, Fernando conseguiu passar dias, manhãs, tardes, noites e madrugadas sem ficar entediado. Comprou esteira e equipamentos para fazer musculação. Usufruía o tempo com canções, filmes, na piscina, na cama, no sofá, dentro dos mais de quatrocentos metros quadrados gourmetizados. Funcionários buscavam bebida, comida e até drogas.

Teve, inclusive, acesso a catálogos para solicitar o serviço de garotas de programa, geralmente durante as manhãs — elas entravam e saíam do seu apartamento sem levantar suspeita de vizinhos, do porteiro e da síndica, e talvez tenham sido consideradas amigas, grandes amigas do morador recluso.

Então, no final do mês passado, decidiu caminhar pelo bairro. Fernando tem quase certeza de que esses quase sete anos de reclusão foram suficientes para ele ser esquecido. Sequestradores e outros criminosos, incluindo também conhecidos que poderiam pedir dinheiro emprestado, já devem ter outros alvos.

Após esses anos dentro do apartamento, Fernando desceu — enfim — pelo elevador, cumprimentou o porteiro e saiu. Quase não reconheceu a cidade, casas antigas foram demolidas, surgiram outros prédios, entre tantas modificações urbanas, mas encontrou uma banca, onde anteriormente comprava jornais.

Já não há mais diários na cidade.

Foi a um café, onde bebeu cerveja de abacate, depois água com gás e ainda comeu um profiteroles.

A experiência de andar pelo bairro deixou Fernando excitado. Conseguiu permanecer no apartamento por dois dias, mas, no terceiro, não resistiu. Caminhou novamente por algumas ruas, bebeu cerveja de abacate em um bar e viu espalhados pela região os — sem outra expressão para nomear — Gudzins.

Fernando continuou saindo e em todos os percursos percebeu cada vez mais a presença dos Gudzins. Pareciam pessoas e deveriam sentir necessidade de bebida, comida, cerveja de abacate, profiteroles, sexo, descanso, água com gás, evacuação, viagem, acesso à internet e paraísos artificiais.

Ao invés, por exemplo, de entrar em movimento, os Gudzins permaneciam deitados, sentados ou em pé, mas essencialmente parados, em frente a lojas fechadas, muros, embaixo de marquises e pontos de ônibus ou nos gramados de parques e praças.

A presença dos Gudzins fez com que Fernando diminuísse as caminhadas e, ao perceber que eles estavam em todas as ruas, ele desistiu de circular nas vias públicas. Decidiu permanecer apenas dentro de seu apartamento, de onde poderia observar, do vigésimo segundo andar, a cidade.

Ontem, ao ver na televisão uma campanha solicitando ajuda para homens, mulheres e crianças que passam necessidade em países distantes, fez a transferência de dinheiro online e, em seguida, comeu carne, bebeu vinho e cerveja de abacate, mergulhou na piscina e desfrutou de tudo o que acredita ter direito ali, isolado de quase todos, especialmente dos Gudzins.
        
Conto inédito publicado na revista Ideias, da Travessa dos Editores. Link.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Livros em oferta na 37.ª Semana Literária SESC & Feira do Livro Editora UFPR

Meus livros de contos custam apenas R$ 20 cada título no estande da Academia Paranaense de Letras na 37.ª Semana Literária SESC & Feira do Livro Editora UFPR, na Praça Santos Andrade. Até 22 de setembro às 18 horas.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Tem Finalmente hoje no Submarino

Finalmente hoje (Tulipas Negras, 2016), meu quinto livro de contos, está em promoção no Submarino. Apenas R$ 20,93. Compre agora.