quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Confissão

Efeitos colaterais da leitura, necessidade de leitura, vocação para a leitura, prazer da leitura, luta para encontrar tempo para a leitura. Na Flim, Paulo Venturelli, Eliege Pepler e eu confessamos que somos, acima de tudo, e antes de qualquer coisa, leitores; leitores, apenas e simplesmente leitores.

Todo diálogo na Flim

O diálogo na Flim levou em conta a presença e a participação de todas as vozes, inclusive, e sobretudo, de quem estava na plateia, como faz ver essa imagem, captada na manhã do dia 25 de outubro, ocasião na qual Paulo Venturelli e eu passamos por lá.

Quarteto

Cezar Tridapalli, eu, Paulo Venturelli e Eliege Pepler na Flim, dia 25 de outubro, por volta das 9h52.

Leitores interessados na Flim

O público atento na Flim na manhã de 25 de outubro, ocasião na qual Paulo Venturelli e eu dialogamos a respeito de leitura, livro e vida.

Paulo Venturelli é

No palco da Flim 2011, Paulo Venturelli a apontar caminhos para o ser e o estar no mundo a partir e por meio da leitura. Eu, Eliege Pepler e quem participou do encontro, na manhã de 25 de outubro, todos fomos e somos testemunhas de um depoimento único daquele que, acima de tudo, é: Paulo Venturelli.

Cezar Tridapalli é muitos

O escritor Cezar Tridapalli se divide em tantos, ajuda na organização da Flim, escreve ficção e também está, registrado nessa imagem, na plateia da Flim, na manhã de 25 de outubro, quando Paulo Venturelli e eu participamos do evento literário do Colégio Medianeira, em Curitiba.

Olhe só quanta gente estava lá na Flim

Houve fila para pegar autógrafo com Paulo Venturelli, que dialogou comigo e com o público na manhã de 25 de outubro na Flim.

Venturelli autografa na Flim

Paulo Venturelli autografa uma de suas obras na manhã de 25 de outubro, quando participamos de um bate-papo na Flim.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Vilma Costa analisa Minda-Au

"Minda-au, de Marcio Renato dos Santos, reúne sete contos que falam de homens comuns e de uma Curitiba que com eles contracena. Apesar de a obra ser de estréia na ficção, o percurso da experiência na escrita vem de algum tempo em jornais, revistas e sites. Sub, o primeiro conto, inicia-se: 'Chove em Curitiba e isso é problema para Edward'. Ao mesmo tempo em que a cidade abre o texto, o protagonista é apresentado. Aliás, através da ação, a cidade passa a ser descrita antes de qualquer um: '(…) dezenas de sujeitos surgem a oferecer guarda-chuvas pelo preço de uma refeição popular. Carros saem das garagens e circulam nas, ou sobre as, ruas. Aumenta o faturamento dos taxistas.'"

O trecho transcrito acima é de autoria de Vilma Costa, professora especializada em literatura que vive no Rio de Janeiro - a resenha foi publicada na edição de abril deste ano no jornal Rascunho, e a continuação do texto está aqui: http://tinyurl.com/3zxeqke

Com Cezar Tridapalli na Flim

Cezar Tridapalli e eu na manhã de 25 de outubro na Flim.

Outra cena da Flim

Paulo Venturelli e Eliege Pepler escutam o depoimento sobre a minha experiência de leitor durante a Flim 2011.

Público da Flim

Alunos e professores do Colégio Medianeira fotografados durante o bate-papo "A literatura e o outro", no qual Paulo Venturelli e eu participamos durante a primeira edição da Flim.

No palco da Flim

O escritor Cezar Tridapalli, autor do romance Pequena Biografia de Desejos, no momento em que apresentava os convidados para o bate-papo sobre "A literatura e o outro", na Flim 2011: eu, Paulo Venturelli e Eliege Pepler.

Diálogos na Flim

Clique do bate-papo no qual dialoguei com Paulo Venturelli, com medição de Eliege Pepler, na manhã de 25 de outubro, no Colégio Medianeira, durante a Flim 2011.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Minda-Au e Paulo Venturelli na Flim 2011

Dia 25 de outubro de 2011, a partir das 10 horas, acontece o bate-papo sobre literatura e o outro na Flim 2011, a Festa Literária do Medianeira, em Curitiba. O escritor Paulo Venturelli e eu vamos conversar a respeito desse e de outros assuntos. A mediação é da Eliege Pepler. Mais informações: http://tinyurl.com/5u5t5u7

 

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Minda-Au faz 1 ano

Há 1 ano, em outubro de 2010, a editora Record publicava Minda-Au, minha estreia na ficção. Nesses trezentos e sessenta e muitos dias, houve lançamentos, encontros, matérias em jornais, revistas, blogs e sites. Agradeço a todos. Equipe da editora, jornalistas, professores, profissionais do mercado editorial, proprietários de livrarias, colegas de trabalho, amigos, amigas, parentes e, em especial, a vocês leitores.

sábado, 1 de outubro de 2011

O rock move o mundo

Você já desejou voar. Eu também. É sonho antigo reviver o feito de Ícaro, “vontade ser baitaca”, como escreveu Newton Sampaio. Asa delta. Paraquedas. Paraglaider. Parasail. Há trampolins que simulam a nossa falta de asas.

O voo comercial, no entanto, já não satisfaz o sonho, o desejo, a ambição humana de desafiar a lei da gravidade. Essas decolagens e aterrissagens quase não provocam taquicardia, a não ser em exceções e emergências. É relativamente fácil e, em alguma medida, barato estar hoje em Curitiba, amanhã em Lisboa e depois em Tóquio, apesar das filas de espera em aeroportos, da barra de cereal e do suco de manga no copo de plástico durante os percursos.

Mas em São Leopoldo, Colombo ou Patos de Minas, por mais confortável que se encontre em terra firme, asfalto ou cobertura, o homem tende a lembrar que poderia ter asas e, rosebud, vai procurar ponte ou túnel de acesso para viajar pelo céu.

Não sei se você já experimentou, mas uma das mais interessantes possibilidades para levitar e seguir por aí é tocar em uma banda de rock. Quem conhece, e sorveu o sabor, sabe que a aventura é intensa, inesquecível, incomparável.

E para esse voo acontecer não é necessário muito. Basta uma garagem com uma, duas, três tomadas, uma bateria, um contrabaixo, uma guitarra, microfones, um, dois, três amplificadores. Pronto. Mas o fundamental, e isso sim é fundamental: o sangue precisa ser novo. O rock acontece com e por meio de jovens. A inexperiência, a irresponsabilidade e a fúria juvenil são os motores do rock.

– E o rock é o que move as cidades.

Quem disso isso foi o Gadu, conhece? Ele é o namorado da Pulga. A Pulga é uma ex-groupie. Antes de conhecer o Gadu ela só namorava guitarristas, baixistas, bateristas e vocalistas de bandas de rock. Pulga ficou com todos os roqueiros do circuito de bares, palcos e porões da cidade. “Daí, cansei”, costuma repetir. Uma noite, na verdade já era madrugada, e a Pulga, sozinha, estava à beira de um siricutico. Pensou em se jogar no lago do parque, mas olhou para o lado e alguém sorria. O homem, vinte anos mais experiente do que ela, se apresentou como Gadu e, desde então, eles estão juntos.

– Os roqueiros não sabem nada e não são de nada, sabia?

Quem falou isso foi a Pulga, e olhe que a moça deve saber o que diz por ter convivido, de perto, e por anos, com roqueiros. Fui, acho que sou e sempre serei roqueiro, e até que concordo com a Pulga. Sei quase nada. Mas independentemente disso, é inegável que o rock proporciona voos.

– No entanto, atingir, fazer sucesso pode ser prejudicial. No rock, para voar, é importante estar com amigos tocando em garagens, quartos ou porões.

Quem elaborou o argumento do parágrafo anterior foi o Gadu. Ele trabalha em um serviço reservado, dizem que é contracomunicação e, quando tem certeza de que não há gravador ligado, repete que é o rock que move o mundo.

– Mas e a energia elétrica, os alimentos, os raios de sol, o luar e o efeito Malbec?, pergunto.

– Nada disso, Marcio, responde o Gadu. São os roqueiros, com overdrives, acordes dissonantes em mil alto-falantes que movem as cidades. Tanto que muitos acabam perdendo o chão, experimentam o vazio agudo e flertam com o suicídio.


* * *

Abandonei a guitarra, e o rock, aos 27 anos, idade na qual muitos, Hendrix, Janis e Morrison, tiveram a trajetória interrompida. Curioso. Mesmo no meu caso, mero roqueiro sem reverberação além da garagem, algo ruiu. Perdi energia, a madrugada apagou.

– É a maldição do rock. Uma vez roqueiro, você está perdido.

Foi o Gadu quem me explicou, e ele ainda disse o seguinte: Voou, Marcio, é como o Ícaro; vai querer voar pra sempre. Se alguém abandona as decolagens, como você fez, vai passar o resto da vida em busca das asas abandonadas em alguma garagem.

Ora direis, ouvir estrelas; cansei. Os voos me entendiaram. Agora quero mesmo é caminhar, apenas isso: flanar por ruas, esquinas e becos. Mas tenho um filho, o Vitor, que completa três anos neste outubro e, sabe, o presente foi um par de asas, ou melhor, uma guitarra, que ele pega todo dia e, pelo sorriso no rosto, já ensaia sobrevoar oceanos, vales e estrelas.

Crônica publicada na revista Ideias, da Travessa dos Editores, edição de outubro de 2011.