Luigi Ricciardi resenha A cor do presente

Talvez o ponto em comum que una os contos de A cor do presente , de Marcio Renato dos Santos, seja o estranhamento, aquele bom estranhamento de narrativas curtas e impactantes que nos deixam um eco e nos fazem levantar a cabeça da página e, para usar um termo contemporâneo, brisar. O livro de contos, publicado pela editora curitibana Tulipas Negras, foi lançado em 2019 e possui onze contos distribuídos em cento e dezoito páginas. A estranheza que nos faz refletir é sempre uma estranheza que elucida algum aspecto da realidade, quase uma fantasmagoria, uma caverna de Platão às avessas. A atenção precisa estar ligada, pois as coisas se dão nos detalhes em textos falsamente superficiais, que são densos e que contém pitadas de humor, de trágico e até mesmo de existencialidade. Dou destaque para o conto “Confortably numb”, mesmo título de uma canção do Pink Floyd que, diga-se de passagem, adoro. Trata-se da história de Luciano, um web designer que é músico amador que toca nas hor...