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Mostrando postagens de agosto, 2016
Leda Nagle entrevista Carlos Drummond de Andrade
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A incrível recepção de Finalmente hoje mostra o conto em bom momento
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Toda vez que alguém diz “conto não vende” ou “livro de contos não desperta o interesse do público”, é preciso desconfiar. Há inúmeros contistas em atividade no mundo e no Brasil. Alguns dos mais expressivos autores da ficção breve brasileira estão vivos e em atividade, entre os quais Rubem Fonseca, Sergio Faraco, Luiz Vilela, Sérgio Sant’Anna e Dalton Trevisan. Há, inclusive, autores relativamente mais jovens, mas já com obra e, neste caso, o destaque vai para o curitibano Marcio Renato dos Santos. Os leitores da coluna acompanham os movimentos literários de Marcio, que registro desde o seu primeiro livro de contos, Minda-au (Record, 2010). No entanto, o que surpreende é a recepção do mais recente e quinto livro dele, Finalmente hoje (Tulipas Negras, 2016), disponível desde março deste ano — o lançamento aconteceu na noite de 11 de maio na Livrarias Curitiba do Shopping Estação. OBSERVADORES Antes mesmo de ser lançado, “Finalmente hoje” já disse a que veio a parti...
Otto Lara Resende entrevista Nelson Rodrigues
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Soneto italiano
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Frescura das sereias e do orvalho, Graça dos brancos pés dos pequeninos, Voz das manhãs cantando pelos sinos, Rosa mais alta no mais alto galho: De quem me valerei, se não me valho De ti, que tens a chave dos destinos Em que arderam meus sonhos cristalinos Feitos cinza que em pranto ao vento espalho? Também te vi chorar... Também sofreste A dor de ver secarem pela estrada As fontes da esperança... E não cedeste! Antes, pobre, despida e trespassada, Soubeste dar à vida, em que morreste, Tudo — à vida, que nunca te deu nada! Poema de Manuel Bandeira, publicado no livro Lira dos Cinquent'anos (1940).
Pimenteira
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Péricles olha a pimenteira seca. Não sabe se é a quinta, a sexta ou a sétima. Há alguns anos, decidiu comprar a planta. O objetivo não era decorar a cozinha nem cultivar tempero forte. O engenheiro estava em busca de um bloqueio para o mau-olhado. Foi promovido e tinha a impressão de despertar inveja. Há uma semana que os colegas comentam nos corredores e nos banheiros da empresa que o Bruno, o superintendente, deve deixar o cargo. Péricles tem a sensação de que pode conquistar a vaga e, para atingir o objetivo, precisa de uma nova planta, dessas que filtram energias negativas. Bruno e Péricles se conheceram no curso de engenharia química e continuaram colegas na pós-graduação. Quase no mesmo período, foram contratados por uma empresa de biotecnologia especializada na produção de enzimas. Já nos primeiros meses de trabalho, Péricles conquistou um cargo de direção. Bruno trabalhou quase uma década até ser promovido a diretor-geral e, em seguida, a superintendente. Apesar da...
Momento num café
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Quando o enterro passou Os homens que se achavam no café Tiraram o chapéu maquinalmente Saudavam o morto distraídos Estavam todos voltados para a vida Absortos na vida Confiantes na vida. Um no entanto se descobriu num gesto largo e demorado Olhando o esquife longamente Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade Que a vida é traição E saudava a matéria que passava Liberta para sempre da alma extinta. Poema de Manuel Bandeira publicado no livro Estrela da manhã (1936).