A linguagem fluente leva o leitor da primeira à 175.ª página, a última, de Salvar os pássaros (Encrenca: Curitiba, 2013), o mais recente livro de Luiz Felipe Leprevost (na foto de Olívia D'Agnoluzzo). Apresentado em texto de divulgação como coletânea de contos, a obra funciona, mesmo, mais do que tudo, como texto contínuo, novela ou romance. Apesar de mínimas variações, modulações sutis, todos os textos são enunciados por um único narrador; é o mesmo narrador que não usa maiúsculas para iniciar frases; narrador esse que pega o leitor e a leitora pelas mãos e os conduz num fluxo contínuo, ininterrupto de palavras que provocam sensações, emoção, percepções outras – paraísos artificiais enfim. Os enredos interessam, podem interessar, mas Salvar os pássaros oferece passaporte para seguir pelos enredos, apesar dos enredos, a partir de personagens e situações, por exemplo, da descrição detalhada de uma transa que funciona como ideia-f...