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Golegolegolegolegah!

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  Publicado pela Travessa dos Editores em 2013, Golegolegolegolegah! é o meu segundo livro de contos.

Minda-au

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  Publicado pela Record em 2010, Minda-au   é o meu primeiro livro de contos.

Tesouros de Curitiba

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  Fundamental como ler, caminhar e dormir, a Coalhada Artesanal Preciosa tem o sabor da amizade e da literatura do Jamil Snege (1939-2003), de canções do Charme Chulo e do Dary Esteves, de um clique da Lina Faria, daquele conto do Dalton Trevisan, de um poema da Helena Kolody, de outro inédito do Andrey Luna Giron, de uma visita ao Museu Guido Viaro, do ziguezague na praça Brigadeiro Eppinghaus, das performances da Selvática, do baile da Miri Galeano e da guitarra do Jony Gonçalves, da sofisticação da Lunares flamenco, das narrativas do Wilson Bueno, da expectativa que é um sábado livre, almoço no Maneko's ou no Tartaruga, um desenho do Simon Taylor, a Coalhada Artesanal Preciosa é outro tesouro de Curitiba.   Texto que escrevi sobre afetos & a Coalhada Artesanal Preciosa, que hoje, 12 de outubro, vai sortear um livro às 22 horas em seu Instagram, o @coalhadaartesanal. Já conferiu?  

Onde nem quando

  Joana sai do hotel, um, dois, três passos na calçada e a certeza: está na praia. Setenta, sessenta, talvez cinquenta passos a separam do oceano. Não realiza o ritual desde fevereiro de 2020, com mais precisão, desde 26 de fevereiro, Carnaval daquele ano, antes do início da pandemia. Hoje, tantos (quantos?) meses, mais de um ano depois, ela e quase todos podem experimentar quase tudo o que anteriormente era possível.    Os pés na areia, as sandálias em uma das mãos, a brisa toca o corpo de Joana e, se alguém observar, não é difícil ver, há lágrimas no rosto da mulher que veste biquíni escondido atrás de saia e camiseta – dentro da bolsa tem carteira, filtro solar, comprimidos, máscara e um objeto enrolado em uma toalha.    O mar.    Joana tem lágrimas no rosto e os dois olhos no horizonte azul das águas que, lá, em um ponto distante, parece,...

Joana e Georgia

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  Aceclofenaco a cada doze horas e paracetamol mais fosfato de codeína de seis em seis horas. Dessa maneira Geraldo faz a marcação de seus dias recentes e as noites que segue acordado desde que elas, as duas, se foram. Por muito tempo, companheiras inseparáveis dele. Viajaram, juntos estiveram em praias, saunas, montanhas, piscinas, mares, restaurantes, quartos de hotéis e pousadas – e, como Geraldo gosta de dizer, ajudaram a queimar tanta coisa por aí, principalmente dólares.   Agora, sem Joana e Georgia, Geraldo só não cai e não grita por usar medicação. Mas o efeito dos remédios às vezes termina antes do horário previsto, o mal-estar se faz presente e Geraldo lembra, mesmo sem querer lembrar, de Joana e Georgia.   Joana e Georgia eram rebeldes, até e inclusive musicais, surpreendentes, e interferiram na vida de Geraldo.   Estiveram com Geraldo não por amor, mas com a finalidade de prejudicar o empreendedor responsável indiretamente pela cidade ser do j...

Quase surge um nada

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  Natália diz que vai criar um personagem absolutamente original. Mostro os dentes, fecho a boca, ela quer saber qual o motivo da minha risada e sigo em silêncio. Repete que o seu plano é construir um protagonista inédito em âmbito mundial. Durante uma pausa em seu discurso, comento que também vale recriar algum personagem do Shakespeare ou do Dalton Trevisan, da Lucia Berlin, do Machado, da Clarice, da Hilda, da Lygia ou do Pirandello, entre tantas opções.   Natália boceja.   Digo que é possível elaborar um personagem a partir de pessoas:   – Misture atitudes de um, nuances do comportamento de outro, um tique de um terceiro, a dicção e o silêncio de uma conhecida e, enfim, está pronto o seu Frankenstein.   Aos gritos, ela diz que sempre desconfiou, mas agora tem certeza. Afirma que sou uma fraude:   – León, você nunca me enganou! É um plagiador. Copia autores e a realidade.   Esta, ainda não sei, é a nossa última conversa. Vamo...

As maçãs de antes

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  Hoje tem As maçãs de antes (Biblioteca Pública do Paraná, 2012), da Lila Maia: O título sintetiza a proposta da poeta: revisitar o que teve sabor no passado, por exemplo, o convívio com a doce mãe que já se foi, especialmente em "Cartas poéticas para Maria dos Remédios": "Mãe/ não se pode amar o tempo todo". São muitas as qualidades desta obra, escolhida – entre outros – por Antonio Carlos Secchin e Heloisa Buarque de Hollanda como a vencedora do Prêmio Paraná de Literatura 2012 na categoria poesia – As maçãs de antes teve outra edição em 2014, pela Oficina Raquel. Destaque, sem dúvida, são os magistrais versos – basta ler (ao acaso) cinco, seis, sete deles, ou menos, mesmo em fragmentos, como vou recortar neste comentário, para ter acesso à potência da poesia de Lila Maia. Os desastres afetivos, melhor dizendo, a impossibilidade do amor a dois (contínuo) é mote recorrente em A maçã de antes – em alguns casos ironia e/ou humor relativizam o impasse, com...