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O negócio é o seguinte

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O chorare vai chegar

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  Conheço alguns de seus segredos, de você, você mesmo, você mesma pessoa só. É sobre você que estou falando, mas não vou revelar agora, nesta frase, aqui, não vou abrir o jogo imediatamente. Sei tanto a seu respeito, talvez mais do que você, que ilude a si mesmo há anos, sabe sobre essa ficção em que você se transformou, pessoa que veio do pó, pessoa só, futura pessoa pó.   Antes de o galo cantar pela terceira vez, e antes de negar o inegável, você mata o galo, não é mesmo? Mas não sou galo nem tolo pra contar isso a qualquer pessoa, muito menos revelar a você que conheço os seus movimentos, assassino de galos, você que corta a língua da testemunha número 1, compra por pouquíssimos dinheiros o silêncio da testemunha número 2, fura os olhos da terceira testemunha e, se necessário, também mata a testemunha 666.   Os seus amigos e amigas recentes não vão acreditar, nunca, talvez um dia, sei lá, não sei, que você é chupa-cabra, aranha marrom, zé ruela. Essa gente dei...

Sobre velocidade(s) e alvo

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"depressa é muito devagar", Paulo Leminski.  

Onde nem quando

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  Joana sai do hotel, um, dois, três passos na calçada e a certeza: está na praia. Setenta, sessenta, talvez cinquenta passos a separam do oceano. Não realiza o ritual desde fevereiro de 2020, com mais precisão, desde 26 de fevereiro, Carnaval daquele ano, antes do início da pandemia. Hoje, tantos (quantos?) meses, mais de um ano depois, ela e quase todos podem experimentar quase tudo o que anteriormente era possível.    Os pés na areia, as sandálias em uma das mãos, a brisa toca o corpo de Joana e, se alguém observar, não é difícil ver, há lágrimas no rosto da mulher que veste biquíni escondido atrás de saia e camiseta – dentro da bolsa tem carteira, filtro solar, comprimidos, máscara e um objeto enrolado em uma toalha.    O mar.    Joana tem lágrimas no rosto e os dois olhos no horizonte azul das águas que, lá, em um ponto distante, parece,...

Atalho Clichê

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A dama de branco

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  Hoje tem A dama de branco (Companhia das Letras, 2021), do Sérgio Sant'Anna: De inéditos (incluindo também narrativas publicadas), é o último livro do autor (1941-2020) que amalgamou ação, pensamento, cenário, visuais, música, teatro e interação entre personagens de um jeito peculiar, o modo Sérgio Sant'Anna de ficção. Tanta odara, tanto bim-bom e obalalá e não vai dar para comentar quase nada do tudo que é A dama de branco (quase nunca um comentário sobre livro consegue mostrar o que a obra tem e pode ter, mas enfim). "A morte não passa de uma obsessão minha", diz o narrador do conto que dá nome ao livro. A perspectiva do fim da existência, tema da obra de Sant'Anna, é recorrente em A dama de branco . "A filha de Drácula", que o narrador afirma ser "talvez meu último e único importante conto", contém elaborações sobre o que pode ser o depois do morrer: "um dia estarei também eu perdido no indiferenciado, quando não haverá cont...

Encontro com Ademir Demarchi

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  Curitiba, 8 de setembro de 2021.