Hoje tem Solo para Vialejo , de Cida Pedrosa (Cepe: 2019): Sem manusear fisicamente (e exibir) esta obra, é difícil falar sobre ela. Não se trata de um livro de poemas convencional. A diagramação provoca impacto na fruição. Tem poemas visuais, outros com repetições, há oralidade, e mais repetições, e o que Solo para Vialejo faz ver, ou ouvir, pelo menos eu escuto, é uma canção, ou muitas canções. Solo para Vialejo tem Jackson do Pandeiro, xotes, jazz bands, Wanderléa, Roberto e Erasmo, Dylan, Muddy Waters, tantos negros blues, a dor dos africanos escravizados transformada em lamento, potência, beleza e ritmo. E apesar das notas, melodias e pausas, há silêncio, sim, e um enredo insinuado em meio à poesia. É uma narrativa conduzida por uma voz feminina que, por que não?, pode se confundir com a da autora e seus ancestrais: "uma mulher que fia/ fia armaduras para sois tristes/ fia acalanto para madrugadas rasas/ fia o orvalho para manhãs natimortas// fia fia fia// a rede qu...